Reflexões sobre Educação Volume 1 | Seite 24

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo das outras turmas conheciam os interventores, sabendo que no dia-a-dia as coisas não eram daquele jeito. Alguns grupos vestiram-se de minorias sociais: hippies, nerds, gays, lésbicas, mendigos etc. Outros colocaram mensagens em locais especí- ficos da escola, objetivando à reflexão. Houve também os que colocaram plaquinhas em si mesmos pedindo por abraços destituídos de quaisquer preconceitos. Os meninos que se vestiram de meninas foram muito apontados, ridiculariza- dos. Mas, apesar disso, terminaram sua intervenção do me- lhor modo possível: suscitando a desnaturalização e o estra- nhamento dos outros. Nossa metodologia abrangeu o esclarecimento concei- tual e a teorização aliadas às relações sócio-escolares. Com suas ferramentas analíticas, o educador com forma- ção sociológica poderia contribuir com novos olhares para os conteúdos escolares, relacionando-os, por exemplo, ao contexto global e local dos estudantes, às suas condições de emergência ou, simplesmente, desnaturalizando-os. (MOURA, 2009, p. 217). Para que esse trabalho não fosse tão forçado, devido às amizades dos alunos que reconhecendo seus pares os sabiam diferentes, poderíamos sair dos muros da escola, levando a atividade às ruas da cidade. Talvez as reações fossem dife- rentes, o estranhamento e os juízos de valor mais próximos da realidade. Apesar disso, sair da rotina escolar, suscitando a criatividade e o senso crítico dos alunos, pode ser muito produtivo. Os professores não podem mais pensar que são os únicos detentores do saber, transmitindo-o para seus alunos ignorantes, prontos para serem preenchidos com aquilo que se supõe ser o mais apropriado. Nós somos orientadores de um processo permanente de construção de saberes. Como tais, devemos abolir a mera reprodução de ideias, a cópia, a imitação em nossas aulas. Precisamos dar o exemplo e ques-