Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
das outras turmas conheciam os interventores, sabendo que
no dia-a-dia as coisas não eram daquele jeito. Alguns grupos
vestiram-se de minorias sociais: hippies, nerds, gays, lésbicas,
mendigos etc. Outros colocaram mensagens em locais especí-
ficos da escola, objetivando à reflexão. Houve também os que
colocaram plaquinhas em si mesmos pedindo por abraços
destituídos de quaisquer preconceitos. Os meninos que se
vestiram de meninas foram muito apontados, ridiculariza-
dos. Mas, apesar disso, terminaram sua intervenção do me-
lhor modo possível: suscitando a desnaturalização e o estra-
nhamento dos outros.
Nossa metodologia abrangeu o esclarecimento concei-
tual e a teorização aliadas às relações sócio-escolares.
Com suas ferramentas analíticas, o educador com forma-
ção sociológica poderia contribuir com novos olhares para
os conteúdos escolares, relacionando-os, por exemplo, ao
contexto global e local dos estudantes, às suas condições
de emergência ou, simplesmente, desnaturalizando-os.
(MOURA, 2009, p. 217).
Para que esse trabalho não fosse tão forçado, devido às
amizades dos alunos que reconhecendo seus pares os sabiam
diferentes, poderíamos sair dos muros da escola, levando a
atividade às ruas da cidade. Talvez as reações fossem dife-
rentes, o estranhamento e os juízos de valor mais próximos
da realidade. Apesar disso, sair da rotina escolar, suscitando
a criatividade e o senso crítico dos alunos, pode ser muito
produtivo. Os professores não podem mais pensar que são os
únicos detentores do saber, transmitindo-o para seus alunos
ignorantes, prontos para serem preenchidos com aquilo que
se supõe ser o mais apropriado. Nós somos orientadores de
um processo permanente de construção de saberes. Como
tais, devemos abolir a mera reprodução de ideias, a cópia, a
imitação em nossas aulas. Precisamos dar o exemplo e ques-