Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
e que está ligado aos objetivos da Filosofia e das Ciências, humanas
ou naturais, é o estranhamento” (OCEM-Sociologia, 2006, p.
106). Suscitar o estranhamento demanda um pensar que vai
além do senso comum, exigindo dos alunos e dos professores
um surpreender-se constante, uma nova lente para examinar
minuciosamente aquilo que já acreditávamos saber em de-
masia. Novas questões devem ser postas. Novas informações
devem ser agregadas àquilo que já era conhecido. Isso pode
fazer da aprendizagem um ato de construção constante e não
algo estanque ou limitado à mera reprodução.
Os princípios metodológicos que regem o ensino das
Ciências Sociais são os conceitos, os temas e as teorias. Se-
gundo Amaury Cesar Moraes, trabalhar com conceitos exige
um conhecimento histórico por parte do professor (MORA-
ES, 2010, p. 49). É preciso demarcar sua origem, contexto,
relações espaço-temporais que marcaram seu surgimento. No
que se refere à teoria, o professor precisa ter conhecimento
específico da disciplina que ministra, conseguindo dar conta
da complexidade das teorizações que a envolvem. O docente
precisa planejar aulas que consigam ser significativas aos
seus alunos. Desse modo, eles conseguirão relacionar com
sua vida aquilo que leem nos livros, refletindo sobre sua
própria vivência, sendo levados ao estranhamento e à desna-
turalização do meio no qual estão inseridos. Quanto ao tema,
parte-se daquilo que os alunos trazem, de suas experiências e
de suas relações em sociedade. Ao relacionar o tema com as
teorizações e com os conceitos, contextualizando o conteúdo,
fazemos com que nossos alunos percebam as relações con-
teudísticas. “A partir de informações e um processo de estranha-
mento que se vai operando durante os debates e a leitura de textos
que tratam do tema, a aparente familiarização e o já sabido vão
dando lugar ao conhecimento sistematizado e crítico” (MORAES,
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SMEC 2017