Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
guma utopia pode ser um equívoco, pois se poderia repetir
os paradigmas evolucionistas e perfeccionistas, que talvez
tenham cegado a tarefa da humanidade de agir no cotidiano
e na iniquidade. O arbitrado extremo teórico da utopia é ou-
tra cilada, o pragmatismo, que seria a tentativa de absoluti-
zação do pensamento humano como encarceramento na prá-
tica e nas condições circunstanciais, numa presentificação das
necessidades.
Deste modo, entende-se que integramos um contexto
complexo e interdependente, que desestabiliza a posição de
certeza entre ser e estar dentro ou fora da natureza. Talvez,
suspendendo este arbítrio, possamos superar uma posição
ontológica absolutamente hierárquica. Somos tão meio ambi-
ente como o meio ambiente que nos cerca. Conclui-se, então,
que a educação formal contextualizada vitalmente nas totali-
dades interdependentes baseia-se em um paradigma coeren-
te para formar pessoas. O conceito de escola, considerada
como instituição em todos os níveis de ensino, abrange a
perspectiva de sua inserção no meio ambiente, mas também
a noção de que ela também é meio ambiente, estando, por-
tanto em constante interação com suas partes-totalidades
dinâmicas, corpos, organismos e ecossistemas. Tudo se liga,
visivelmente ou não, a totalidade maior, a Ecosfera, conside-
rada nos seus meios físico, sociais e culturais.
O papel da escola como influente dimensão educacional
é fundamental na elaboração de uma relação saudável que
traga benefícios para ela como instituição, para todos os seus
componentes humanos, mas também para o meio ambiente
como um todo, local e planetário. A busca de melhoria da
qualidade de vida- baseada no respeito aos direitos humanos
e contra o paradigma de mercado produtor-consumidor
transita, necessariamente, pelas relações que estabelecemos a
partir de nossos primeiros contatos com o corpo, mundo e as
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SMEC 2017