Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 105

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 guma utopia pode ser um equívoco, pois se poderia repetir os paradigmas evolucionistas e perfeccionistas, que talvez tenham cegado a tarefa da humanidade de agir no cotidiano e na iniquidade. O arbitrado extremo teórico da utopia é ou- tra cilada, o pragmatismo, que seria a tentativa de absoluti- zação do pensamento humano como encarceramento na prá- tica e nas condições circunstanciais, numa presentificação das necessidades. Deste modo, entende-se que integramos um contexto complexo e interdependente, que desestabiliza a posição de certeza entre ser e estar dentro ou fora da natureza. Talvez, suspendendo este arbítrio, possamos superar uma posição ontológica absolutamente hierárquica. Somos tão meio ambi- ente como o meio ambiente que nos cerca. Conclui-se, então, que a educação formal contextualizada vitalmente nas totali- dades interdependentes baseia-se em um paradigma coeren- te para formar pessoas. O conceito de escola, considerada como instituição em todos os níveis de ensino, abrange a perspectiva de sua inserção no meio ambiente, mas também a noção de que ela também é meio ambiente, estando, por- tanto em constante interação com suas partes-totalidades dinâmicas, corpos, organismos e ecossistemas. Tudo se liga, visivelmente ou não, a totalidade maior, a Ecosfera, conside- rada nos seus meios físico, sociais e culturais. O papel da escola como influente dimensão educacional é fundamental na elaboração de uma relação saudável que traga benefícios para ela como instituição, para todos os seus componentes humanos, mas também para o meio ambiente como um todo, local e planetário. A busca de melhoria da qualidade de vida- baseada no respeito aos direitos humanos e contra o paradigma de mercado produtor-consumidor transita, necessariamente, pelas relações que estabelecemos a partir de nossos primeiros contatos com o corpo, mundo e as Página | 105 SMEC 2017