Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 104

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo Mas, acredita-se que a educação formativa em grupos sujei- tos (e não objetos) pode propiciar uma sintonia social em di- reção àquilo que é relevante, e a dialeticidade entre as esferas constitutivas do meio ambiente a conferir um maior signifi- cado às relações interpessoais e as negociações de interesses, identidades e diferenças. O modelo humanista da sociedade moderna tem inter- ferido em todos os ecossistemas e culturas, mas não pode garantir segurança e qualidade de vida para a maior parte da civilização, e no limite, nem para uma minoria. Seu discurso proferido por esta minoria, geralmente provinha do polo administrativo e da propriedade. A ciência, como dimensão social privilegiada na modernidade muito fez para manter e recriar este estado de coisas. Por isso, recusar aquilo que é autocrático, apriorista e determinista, é uma maneira de dei- xar o devir da sociedade, da cultura e da política rumar em direção oposta aos absurdos (das violências, das escravidões, da reificação do ser humano, das destruições dos ecossiste- mas do Planeta). A dimensão da participação, no sentido de uma educa- ção “esférica” (não linear) e política, entendida como cultura de consciência de ser e fazer parte do mundo, indica que a educação, e especialmente a educação formal, praticada nas instituições escolares, necessita cada vez mais se alimentar de pesquisas que superem as abordagens constativas, se voltan- do aos contextos concretos e atuais, embasando-se nas con- cepções de totalidades interdependentes. Considera-se esta caracterização de suma importância, desde a emergência da noção de mundo interligado. Trata-se de urgência ecológica- cultural- civiliza tória, a necessidade de suspensão de pressu- postos e paradigmas deletérios, do modelo de desenvolvi- mento industrialista e do racionalismo monolítico eurocên- trico (SANTOS, 1989, 2003). Nesse sentido, apontar para al-