Reflexões sobre Educação Volume 1 | Página 103

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 mente por cooptáveis e esvaziados a favor da linguagem bem situada, perfidamente hipotrofiando a necessária politicidade educacional e cultural, que é princípio das sociedades não opressivas. Não se quer aqui fazer uma cartilha da verdade, mas uma tessitura comunicativa responsável, apontando pa- ra uma sinergia solidária. Note-se que a angústia de resolver os problemas, frente ao aprofundamento científico e filosófico, frente à sabedoria não deve levar ao catastrofismo e ao abandono da educação humanitária, indo a favor do tecnicismo administrativo e burocrático. A própria disposição imediatista das pessoas deve ser desestabilizada por servir de desmobilização e para a manutenção dos privilégios involucrados, uma despolitiza- ção por descrença dentro de um cenário performático, do espetáculo e da tecnologia fútil. Desta maneira, há que se recuperar o horizonte temático comum da educação dedica- da a uma movimentação social e histórica, que atue nas ori- gens culturais e comportamentais da crise socioambiental vigente. Nesse sentido, a pedagogia dialógica pode contribuir para uma conscientização não comportamentalista, através da problematização, da concepção social e coletiva da educa- ção e da pesquisa (FREIRE, 1997, 2003; REIGOTA, 1994, 1999). Do aprender a aprender e agir solidariamente, através da práxis participativa, no cotidiano e na história. Comple- menta-se, alertando para não se tomar o diálogo como pana- ceia, pois ele só é possível onde hajam mínimas condições de dignidade e equidade. A atenção para o risco de desmobili- zação do coletivo em relação à política e à educação, está su- gerida na importância da relação dialética entre a micro e a macropolítica. Poder-se-ia dizer que o cidadão não cuida di- reito da democracia representativa, elege mal seus governan- tes e que está perdido procurando sua salvação individual. Página | 103 SMEC 2017