Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 101

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 comum pode-se suspeitar que havia uma origem comum. Há muito existia uma minoria majoritária e silenciosa também sofrendo consequências do mesmo processo. Havia um sis- tema que para existir precisava crescer e avançar, e destruir para criar, competir e excluir. Grupos de pensadores aponta- ram os limites do crescimento num planeta finito, - a crise melhor se denominaria de socioambiental. A ecologia não seria separada da esfera social e ambiental. O modelo de ex- pansão neoliberal tecnológico-industrialista, da produção para o consumismo vem, cada vez mais, indicando sua insus- tentabilidade e a impossibilidade de inclusão de três quartos da população mundial nas suas benesses. Por outro lado, as ações vinculadas à educação e a pes- quisa têm se revelado como um excelente poder mobilizador social, comunitário, no enfrentamento sistêmico desta situa- ção. Observa-se que é preciso ir além de ações pontuais e imediatistas, pois mesmo considerando as boas intenções, se não se conhecerem os processos históricos e conjunturais se- rão superficiais e ingênuas (SANTOMÉ, 1998). Por isso, é preciso superar a visão fragmentária em função da noção de totalidade socioambiental, onde a complexidade pressupõe sistemas constituídos de partes em conexões aparentes e ocultas, propriedades emergentes que se organizam e desor- ganizam, tendendo a um equilíbrio ancestral e, portanto, au- to organizativo (ODUM,1985, p.3). As teorias científicas ori- ginadas da física e da ecologia são modelos representativos, demonstram a existência das relações dos seres vivos entre si e destes com meio abiótico, incluindo a espécie humana. Em- bora não se possa fazer uma transposição mecânica para o funcionamento da sociedade, não há como existir vida e a sua continuidade sem os fluxos de matéria e energia. Ainda, a cultura e os conhecimentos permitem fugir em parte, por tempo limitado e para alguns, de uma existência de necessi- Página | 101 SMEC 2 017