na empreitada. Estive na João Gueno apenas duas vezes,
mas o bastante para desconfiar que diretores, professores
de outras disciplinas, zeladores, pais, está todo mundo na
roda.
Como sei? Evidências – escola em que a biblioteca é
ponto de encontro para reunião festiva, lanche, conversa,
e não um sepulcro sob a tutela de tiranos que dizem amar
os livros, a ordem e o progresso, está deliciosamente
desencaminhada, se é que me entendem. Tudo acontece em
ambientes em que os livros têm pernas. A propósito, são
507 alunos, o lugar é bem cuidado e a direção é de Francis
Eder Ribeiro da Silva. O colégio fica nos altos e, de lá, a
vista de Colombo pede um suspiro breve, e um longo.
Terça-feira passada, numa parceria com Lúcia
Cherem, troquei um dedinho de prosa com os alunos da
João Gueno. Tinham uma encomenda – queriam dicas sobre
como escrever sobre o São Dimas, antes que o jornalismo
policial o transforme num faroeste de bolso. Fiz o que
pude. Conheço pouco o lugar, o qual me cabe desbravar
como um serendipitoso. Mas confessei que lembra muito a
Vila Cubas da minha infância, então um encrave operário
do sugestivo bairro do Novo Mundo.
Para não perder a viagem, aluguei os futuros escribas
com a narrativa dos funerais de minha bisavó, Matilde
Celeste, levada em triunfo pelo [então] poeirão da Rua
João Stenzowski, em 1974. O cortejo foi puxado por um
personagem de Fellini, um jovem down que a amava com
ternura e a chorou. A vila em que nasci era um daqueles
lugares em que as pessoas começavam a vida. Compravam
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