Pés no Chão Pés no Chão | Page 145

na empreitada. Estive na João Gueno apenas duas vezes, mas o bastante para desconfiar que diretores, professores de outras disciplinas, zeladores, pais, está todo mundo na roda. Como sei? Evidências – escola em que a biblioteca é ponto de encontro para reunião festiva, lanche, conversa, e não um sepulcro sob a tutela de tiranos que dizem amar os livros, a ordem e o progresso, está deliciosamente desencaminhada, se é que me entendem. Tudo acontece em ambientes em que os livros têm pernas. A propósito, são 507 alunos, o lugar é bem cuidado e a direção é de Francis Eder Ribeiro da Silva. O colégio fica nos altos e, de lá, a vista de Colombo pede um suspiro breve, e um longo. Terça-feira passada, numa parceria com Lúcia Cherem, troquei um dedinho de prosa com os alunos da João Gueno. Tinham uma encomenda – queriam dicas sobre como escrever sobre o São Dimas, antes que o jornalismo policial o transforme num faroeste de bolso. Fiz o que pude. Conheço pouco o lugar, o qual me cabe desbravar como um serendipitoso. Mas confessei que lembra muito a Vila Cubas da minha infância, então um encrave operário do sugestivo bairro do Novo Mundo. Para não perder a viagem, aluguei os futuros escribas com a narrativa dos funerais de minha bisavó, Matilde Celeste, levada em triunfo pelo [então] poeirão da Rua João Stenzowski, em 1974. O cortejo foi puxado por um personagem de Fellini, um jovem down que a amava com ternura e a chorou. A vila em que nasci era um daqueles lugares em que as pessoas começavam a vida. Compravam 145