o terreno, faziam a casa dos fundos para a frente. Meia-
água, era o que se ouvia. Como os pais trabalhavam fora,
a gente se agarrava com os vizinhos, que nos serviam
Toddy e pão bundinha. Num lugar assim, uma velhinha
portuguesa, sempre de preto, posta em brincos, coques,
terços e conversa engraçada, desconhecia o anonimato.
Perguntei para a turminha – que é muito desenvolta
– se, por acaso, o São Dimas era mais ou menos assim, uma
Vila Cubas dos anos 2000. Entre um queixume e outro (a
falta de praças e de asfalto, a bandidagem, por exemplo)
confirmaram as semelhanças. Dão-se com vizinhos. Os
pais se empenham na compra de sacas de cimento. E, sim,
acreditam, há donas Matildes por lá, e nunca morrem em
silêncio. Suspeito que vão escrever sobre elas, postando-as
para a eternidade.
José Carlos Fernandes é jornalista e
professor universitário
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