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do Ministério da Educação. Tornou-se – sem margem de erro – uma das escolas citadas em tudo que é congresso de educação no Paraná. O que se deu ali é notável. E não é de se admirar que os alunos – justo os que não encontraram muito do que se orgulhar nos sites de busca – estejam se preparando para empunhar a caneta e inundar a rede com histórias sobre o reduto onde vivem. Por partes. O “caso João Gueno” começou sem alarde, como a maioria das boas histórias do ensino. A professora Érica Rodrigues fazia um mestrado no Departamento de Educação da UFPR e atraiu pesquisadoras da universidade para desenvolver projetos de leitura no seu colégio de periferia. Foi exitoso. Mas acabou que a própria Érica, num daqueles dias em que os alunos parecem ter sentado num formigueiro, foi quem encontrou um atrativo para a gurizada: começou a ler em voz alta, ao fim da aula, um capítulo de cada vez de uma obra de literatura infanto- juvenil. A escolhida foi uma autora até então pouco cultivada no ambiente escolar, por seu apreço por temas mórbidos: chama-se Ana Cristina Ayor de Oliveira, mas Indigo é seu nome de guerra. Para surpresa, a turma adorou essa tecnologia barata, que parecia existir apenas nas ternas lembranças dos tempos da professorinha. A predileção por “ouvir” e “em série” acabou por virar um laboratório de observação para as pesquisadoras Elisa Dalla Bona e Lúcia Cherem, ambas da UFPR. Em parceria com Érica, deduziram o que muitos estudos sugerem – há o desejo de ler, mas as dificuldades mecânicas em decodificar palavras e em entender o sentido das frases fazem com que se torne uma 143