Lollobrígidas, Cardinales e Sophias. E a do Alto Maracanã,
com suas comunidades que parecem brotar do chão a cada
inverno, fazendo crescer a população de mais de 200 mil
moradores. A São Dimas é uma delas. Salvo um conto
escondido na gaveta de algum prosador solitário, não se
tem notícia de uma peça literária ambientada naquelas
alterosas. E isso não quer dizer que o bairro goze dos
préstimos do desconhecimento. Antes fosse: os guris e
gurias do colégio googaram e encontraram folhas tantas
sobre o São Dimas… nas páginas policiais.
Foi o que bastou, claro, para que amarrassem um
bode, debaixo de um sonoro “e eu não disse?”. Os que
alimentavam um toque de amargura em relação ao bairro
– modesto de fato – aproveitaram a deixa para reivindicar
junto aos pais: “Caminhão de mudança, já”. Para outros, a
constatação de que o São Dimas – na imprensa – é assunto
de porta de delegacia abriu algumas feridas. A menina
Tayná Adriane da Silva, assassinada em 2013, aos 14 anos,
era não só moradora da redondeza como estudante do João
Gueno. À época, o horror provocado pelo caso – alçado
de imediato ao posto de clássico da crônica da violência
paranaense – espirrou no pátio da instituição. Os colegas
tinham estado com Tayná, na hora do recreio, às vésperas
do crime. O impacto sobre meninos em primeiras barbas e
meninas de maria-chiquinha foi tamanho.
O fato é que, ao contrário do que fazem acreditar as
notícias, nem o São Dimas nem a João Gueno se resumem
às tragédias que insistem em cruzar seu cotidiano. Basta
lembrar que, há quatro anos, o colégio abateu uma penca
de candidatos e venceu o prestigiado prêmio Viva Leitura,
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