Pés no Chão Pés no Chão | Page 142

Lollobrígidas, Cardinales e Sophias. E a do Alto Maracanã, com suas comunidades que parecem brotar do chão a cada inverno, fazendo crescer a população de mais de 200 mil moradores. A São Dimas é uma delas. Salvo um conto escondido na gaveta de algum prosador solitário, não se tem notícia de uma peça literária ambientada naquelas alterosas. E isso não quer dizer que o bairro goze dos préstimos do desconhecimento. Antes fosse: os guris e gurias do colégio googaram e encontraram folhas tantas sobre o São Dimas… nas páginas policiais. Foi o que bastou, claro, para que amarrassem um bode, debaixo de um sonoro “e eu não disse?”. Os que alimentavam um toque de amargura em relação ao bairro – modesto de fato – aproveitaram a deixa para reivindicar junto aos pais: “Caminhão de mudança, já”. Para outros, a constatação de que o São Dimas – na imprensa – é assunto de porta de delegacia abriu algumas feridas. A menina Tayná Adriane da Silva, assassinada em 2013, aos 14 anos, era não só moradora da redondeza como estudante do João Gueno. À época, o horror provocado pelo caso – alçado de imediato ao posto de clássico da crônica da violência paranaense – espirrou no pátio da instituição. Os colegas tinham estado com Tayná, na hora do recreio, às vésperas do crime. O impacto sobre meninos em primeiras barbas e meninas de maria-chiquinha foi tamanho. O fato é que, ao contrário do que fazem acreditar as notícias, nem o São Dimas nem a João Gueno se resumem às tragédias que insistem em cruzar seu cotidiano. Basta lembrar que, há quatro anos, o colégio abateu uma penca de candidatos e venceu o prestigiado prêmio Viva Leitura, 142