Posfácio
Os narradores da Vila São Dimas de
Colombo
por José Carlos Fernandes
D
urante uma aula de Língua Portuguesa, os
alunos do oitavo ano do Colégio Estadual João
Gueno, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba,
receberam uma tarefa, digamos, “de tirar nota 10”. Tinham
de encontrar um texto que falasse sobre o São Dimas,
bairro de 12,6 mil habitantes – 30% deles jovens – em que a
escola está plantada. Nem seria preciso ir a uma biblioteca:
o oráculo Google resolveria a questão. Assim fosse.
Há textos – poéticos, romanescos e históricos – sobre
a cidade de Colombo, marco da imigração italiana e dona
de uma das mais belas matrizes da redondeza, dedicada
a Nossa Senhora do Rosário. Mas não é nessa Colombo
que os estudantes da “João Gueno” moram. Até mesmo na
prefeitura, quando a gente liga, leva um sabão: “Mas de
qual Colombo o senhor quer saber?”.
Explico. Extraoficialmente existe o município
da igreja linda, das ruas arborizadas, das famílias
tradicionais, das colônias dominadas por poderosas nonnas
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