OPINIÃO
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Do Outro Lado da Muralha
Direitos Humanos na China
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A iniciativa foi feita para preparar a China para os desafios do futuro e numa tentativa de sustentar o crescimento económico chinês para os próximos anos. O plano tem em conta, por exemplo, uma "Rota da Seda" (que foi a inspiração para este projeto de Xi Jinping) polar, que atravessa o Ártico, de modo a cortar o tempo de viagem de navios de carga. Isto acarreta, claro, vários riscos ambientais para o planeta, bem como traz conflitos e interesses políticos entre países sobre o direito de travessia e exploração das águas do Ártico. A Rússia, o Canadá e a Noruega são os países que mais se interessam pelo Ártico, devido à sua localização geográfica, mas a China aliou-se à Rússia com o OBOR para assegurar que também pode beneficiar disto. Os braços da China são, de facto, compridos.
Mas como vai ser o futuro na China? As novas tecnologias estão a ser utilizadas para criar um sistema orwelliano de controlo na população, com Inteligência Artificial (AI) a ser usada, por exemplo, para detetar peões a atravessarem fora da passadeira e a enviar-lhes multas para o telemóvel, ou o sistema de crédito social que dá um "ranking" a todos os cidadãos chineses. O massacre das minorias Falun Gong, Uigure, tibetanos e cristãos continua e não existem sinais de que vá parar nos anos vindouros. A China ainda é o maior poluidor mundial, apesar do forte investimento em energias renováveis, e continua com a sua política expansionista no Mar do Sul da China. Com isto tudo em mente, será este plano OBOR a solução para o futuro da China? Será este plano que vai trazer as mudanças sociais e políticas, principalmente a nível dos direitos humanos, que a China precisa tão urgentemente? Talvez este plano seja só uma continuação do que já se tem visto - poderio económico a ser mais importante do que soberania política e direitos humanos. Quiçá não seja esse o futuro. Mas o que é certo é que muitos outros países se vão juntar e fazer um acordo com o diabo.