Pontivírgula - Edição Maio 2018 Pontivírgula - Edição Maio 2018 | Page 32

OPINIÃO

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Aqui e Agora

Atualidade

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Contra a eutanásia argumento que a vida nunca se esgota, por mais insofrível que seja. Há sempre um amanhã. Haverá sempre um novo dia que irá romper da escuridão da noite. A nossa tendência é a luta para a sobrevivência, e não é preciso ser-se humano para este facto se verificar. Ninguém, em condições ditas normais, deseja a morte. E quando o desejar, o contexto em que tal se suceder será a razão desse desejo, e não a vida em si. Porque quem vive, não quer “deixar de viver”. Apenas quer “deixar de viver assim”, na condição em que está. E é aí que nós, enquanto “outro”, desempenhamos um papel crucial: de suportarmos a dor de quem sofre, até ao momento final. Porque quando não estamos sós, o caminho não é tão duro pelo simples facto de não ser feito na solidão.

Há fenómenos basilares e intemporais dos quais a sociedade depende. O amor é um deles. Neste caso, o amor à vida. Vivemos numa era em que o amor parece dissipar-se e dar lugar aos interesses individuais. Porém, ele não deixa de existir.

É um facto que ninguém ama a morte. Caso contrário, nunca existiriam hospitais, nem procriação, nem vida. Não percamos o amor por nós mesmos porque, se não fosse este mesmo sentimento, nem nunca estaríamos vivos. O futuro será sempre incerto, mas enquanto o amor for uma constante, haverá futuro. Porque se alguma vez desaprendermos a amar por completo, aí nada nos poderá salvar – e o caminho será breve e só.