no mundo do esporte. Por exemplo, o sucesso de audiência da Copa do Mundo Feminina de 2019 ajudou a aumentar o número de mulheres trabalhando como narradoras( commentators) e comentaristas( pundits) na TV brasileira. Termos mais diversidade dentro das redações significa que essas competições recebem mais atenção. Muitas vezes, são mulheres que se interessam e lutam dentro das redações para que esportes femininos sejam tratados com respeito.
SS: Que novos desafios você enfrentou em sua pesquisa sobre a representação de atletas negras na mídia brasileira? JBT: Acho que o principal desafio da minha pesquisa é entender que existem diversas experiências de mulheres negras dentro do futebol. A miscigenação no contexto brasileiro é tão profunda que, muitas vezes, a questão sobre como as jogadoras se identificam com relação à raça tem uma resposta extremamente complexa, muito mais do que só " sou negra " ou " não sou negra ". Além disso, no caso do esporte feminino, muitas vezes as atletas precisam se unir em torno da luta pela igualdade de gênero e isso acaba ofuscando outras lutas- por exemplo, quando vemos um aumento da representatividade de mulheres no jornalismo esportivo, isso não necessariamente significa que são mulheres diversas. Ou quando temos jogadoras que querem se tornar treinadoras ou dirigentes de clubes, quem são as mulheres que conseguem alcançar esses cargos? Então, o que eu tento fazer é explicar que sim, a diversidade de gênero é importante, mas precisamos olhar para essa evolução com uma lente interseccional- porque senão vamos continuar comemorando uma evolução que ainda é muito unilateral.
SS: Como o seu papel em iniciativas diversas no esporte influenciou sua carreira ou discussões públicas? JBT: Acredito que participar como especialista da exposição do Museu do Futebol foi um momento principal na minha carreira, porque eu pude enxergar um outro jeito de produzir algo com o meu conhecimento e a minha experiência. Acho que quando eu escrevo um texto como jornalista, consigo usar a lente interseccional da minha pesquisa para fazer escolhas melhores, por exemplo, escolher pessoas com origens diversas para entrevistar, ou entender a importância de uma boa representação desses atletas no jornalismo. Como pesquisadora, ou quando sou convidada a falar em eventos, eu acho que consigo também usar a minha experiência para ajudar a fortalecer a luta de outro jeito.
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