E a partir dessa minha experiência, eu consigo trabalhar para melhorar a cobertura esportiva não só no Brasil, mas também no Reino Unido e em outros lugares do mundo. SS: Qual é a diferença entre a sua experiência na escrita esportiva no Brasil e no Reino Unido? JBT: Além de ter que escrever em inglês, o que ainda é um desafio, acho que na mídia esportiva do Reino Unido é mais fácil convencer os editores de que precisamos ter espaço para o futebol feminino na mídia. No Brasil, ainda existe uma resistência muito grande. Acho que as experiências que eu vivi no Brasil, boas e ruins, me fortaleceram para entender o que quero priorizar no meu trabalho, tanto aqui quanto lá. E no fim das contas, ainda acho que o Brasil é o principal foco do meu trabalho como jornalista e da minha pesquisa. O meu objetivo é melhorar as condições para as jogadoras, para as jornalistas, para todo mundo que é apaixonado por futebol brasileiro, seja ele feminino ou masculino. SS: O que a inspirou a criar a newsletter“ Moving the Goalposts” com a Sophie Downey? JBT: Na verdade, a newsletter foi criada pelo jornal‘ The Guardian’ e eu fui convidada logo no começo para ser uma das colaboradoras. Acho que um dos motivos pelos quais a newsletter é tão bem-sucedida é o fato de que nós abordamos muito mais do que só o que acontece dentro do campo- falamos sobre vários tipos de futebóis, várias questões que afetam jogadoras, a presença de mulheres na mídia esportiva, representatividade LGBTQIAPN +, pessoas de várias idades, países, origens, pessoas com deficiência... Acho que a minha maior inspiração é manter essa diversidade presente, especialmente em um dos jornais mais importantes do mundo. SS: Que conselhos daria aos aspirantes a jornalistas esportivos que abordam a diversidade hoje? JBT: Acho que o melhor conselho que eu posso dar é: encontre o que te motiva, o que te deixa apaixonada, e aposte nisso. Jornalismo esportivo é a minha profissão dos sonhos, mas não quer dizer que seja maravilhoso todos os dias. Quando eu me mudei para o Reino Unido pela segunda vez, em 2022, entendi que o meu ponto forte era justamente a minha origem, o fato de que eu consigo entrevistar algumas das melhores jogadoras do mundo e me conectar com elas por causa das características que nós compartilhamos. As minhas entrevistas favoritas são as que eu fiz com jogadoras brasileiras, nordestinas, negras ou racializadas, LGBTQIAPN +, em que eu consigo entender quais perguntas preciso fazer para conseguir a melhor resposta e o 88 melhor texto.