Pensador April 2025 | Page 96

Gênero, diversidade e identidade no futebol feminino: uma entrevista com a jornalista esportiva Júlia Belas Trindade

Sophie Smith Júlia Belas Trindade é uma jornalista esportiva que se especializou no futebol feminino, entre outros esportes, tanto no Brasil como na Inglaterra. Ela tem uma visão incrível sobre as políticas de raça, gênero e diversidade no futebol feminino. Felizmente, Júlia é professora no departamento de Português e, sendo assim, eu pude fazer-lhe algumas perguntas sobre a sua carreira. SS: Como a representação das mulheres negras no jornalismo esportivo evoluiu desde as suas observações na entrevista com o Perifacon em 2022, onde notou uma lacuna grave? JBT: Eu acredito que temos visto mais representatividade de mulheres negras no jornalismo esportivo brasileiro. Recentemente, tivemos jornalistas negras trabalhando à frente das câmeras na Copa do Mundo Feminina em 2023 e nos Jogos Olímpicos de 2024 na principal emissora, a TV Globo. Além disso, cada vez mais estudantes de jornalismo entram em contato comigo para pedir dicas sobre a profissão e saber mais sobre as minhas experiências. Isso é essencial, mas ao mesmo tempo são passos pequenos na direção certa, mas ainda é muito pouco. A verdade é que o jornalismo esportivo no Brasil ainda é um espaço majoritariamente masculino, branco, heterossexual, cisgênero, com pouca representatividade de pessoas com deficiências, e isso se reflete no modo como a mídia cobre esportes.
SS: Viu um progresso significativo na cobertura feita pela mídia do futebol feminino ou de outros esportes? JBT: O esporte feminino teve muito sucesso nas Olimpíadas, com as três medalhas de ouro do Brasil sendo conquistadas por mulheres, e várias das medalhas de prata( inclusive o futebol feminino) e bronze. Isso gera uma maior cobertura da mídia e ajuda a impulsionar as mudanças que queremos ver
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