Pedras e Demônios pd53 | Page 98

insistem em sugerir rotas equivalentes às perseguidas pela China, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, Nova Zelândia e outros países tardios no seu desenvolvimento. O que estes países têm em comum é abertura comercial, o peso do comércio exterior no PIB e a forma como eles se relacionam com o mercado. Veem a inovação como um tema de mercado e que pode, em muitos casos, ter relação com o laboratório. Neste entendimento, o laboratório é visto como um instrumento de solução dos problemas definidos para alcançar competitividade. Contrariamente a esta conduta, no Brasil, cons- troem-se laboratórios para inovar, o que não faz sentido. Não há como introduzir produtos, processos ou serviços no mercado, sem a participação da empresa. Antes de finalizar esta análise sobre a essência da competitivi- dade e sua eventual dependência da inovação, convém relacionar a competitividade com a produtividade, microeconômica e sistêmica. Em um artigo intitulado As amarras para o crescimento da econo- mia brasileira, publicado pela Folha de S.Paulo (18/12/2017), Mar- cos Lisboa e José Alexandre Scheinkman apontam as principais limitações para o incremento da produtividade no Brasil. Segundo os autores, o país vive um estágio de estagnação da produtividade, entendida como a medida de quanto se pode produzir com os mes- mos fatores de produção, capital e trabalho. Argumentam que, em países como Coreia, China, Taiwan e Índia, a produtividade aumentou entre 30% e 80% a mais do que nos EUA, entre 1985 e 2015, e que, no Brasil, por outro lado, ela decresceu 20% em comparação com a americana, e lançam a per- gunta: Por que ficamos para trás? A resposta estaria nas nossas desvantagens em termos de qualidade do ensino e em termos de instituições. Estas determinantes seriam a chave para o aumento da produtividade. Embora reconhecendo que nem todos os setores nem todas as empresas apresentam baixa produtividade, em termos do país, para os padrões internacionais, a economia do Brasil convive com a baixa produtividade, que decorre, dentre outros fatores, da pro- teção das empresas ineficientes e das distorções do ambiente de negócios, como as restrições ao comércio internacional e a com- plexidade e insegurança das regras tributárias e trabalhistas, que resultam no imenso contencioso judicial quando comparado com os demais países. Contam também os gargalos da infraestrutura e o déficit de saneamento básico. 96 Amilcar Baiardi