insistem em sugerir rotas equivalentes às perseguidas pela China,
Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, Nova Zelândia e outros países
tardios no seu desenvolvimento. O que estes países têm em comum
é abertura comercial, o peso do comércio exterior no PIB e a forma
como eles se relacionam com o mercado. Veem a inovação como
um tema de mercado e que pode, em muitos casos, ter relação
com o laboratório. Neste entendimento, o laboratório é visto como
um instrumento de solução dos problemas definidos para alcançar
competitividade. Contrariamente a esta conduta, no Brasil, cons-
troem-se laboratórios para inovar, o que não faz sentido. Não há
como introduzir produtos, processos ou serviços no mercado, sem
a participação da empresa.
Antes de finalizar esta análise sobre a essência da competitivi-
dade e sua eventual dependência da inovação, convém relacionar a
competitividade com a produtividade, microeconômica e sistêmica.
Em um artigo intitulado As amarras para o crescimento da econo-
mia brasileira, publicado pela Folha de S.Paulo (18/12/2017), Mar-
cos Lisboa e José Alexandre Scheinkman apontam as principais
limitações para o incremento da produtividade no Brasil. Segundo
os autores, o país vive um estágio de estagnação da produtividade,
entendida como a medida de quanto se pode produzir com os mes-
mos fatores de produção, capital e trabalho.
Argumentam que, em países como Coreia, China, Taiwan e
Índia, a produtividade aumentou entre 30% e 80% a mais do que
nos EUA, entre 1985 e 2015, e que, no Brasil, por outro lado, ela
decresceu 20% em comparação com a americana, e lançam a per-
gunta: Por que ficamos para trás? A resposta estaria nas nossas
desvantagens em termos de qualidade do ensino e em termos de
instituições. Estas determinantes seriam a chave para o aumento
da produtividade.
Embora reconhecendo que nem todos os setores nem todas
as empresas apresentam baixa produtividade, em termos do país,
para os padrões internacionais, a economia do Brasil convive com
a baixa produtividade, que decorre, dentre outros fatores, da pro-
teção das empresas ineficientes e das distorções do ambiente de
negócios, como as restrições ao comércio internacional e a com-
plexidade e insegurança das regras tributárias e trabalhistas, que
resultam no imenso contencioso judicial quando comparado com
os demais países. Contam também os gargalos da infraestrutura e
o déficit de saneamento básico.
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Amilcar Baiardi