Pedras e Demônios pd53 | Page 97

benefício desta medida se acentuou a partir dos anos 1990, quando o Brasil se tornou uma economia menos fechada. Na linha de con- clusões, é possível também afirmar que inúmeros fatores concor- rem para a competitividade da firma e da competitividade sistêmica e que a inovação tecnológica é apenas uma delas. De outro modo, é possível admitir que as elevadas taxas de crescimento do PIB, veri- ficadas nas décadas da segunda metade do século passado, 6 a 7% em média, se deram no estágio impulsionado e orientado pela efi- ciência, e esta eficiência tem relação com recursos humanos, com algumas políticas públicas, com cenário internacional e não deve ser atribuída à R&D in house. Na mesma linha e de acordo com o mesmo autor, o conjunto de políticas públicas, entre elas as políticas industriais e as políticas de C&T, não evitaram a desindustrialização recente da economia nacional. O Brasil é pouco competitivo na sua indústria e pouco inovou em produtos e em processos. Isto sugere que as políticas não estão corretas, não foram eficientes para nacionalizar certos setores industriais e criaram a “indústria dos subsídios”. A atual política industrial, na sua essência, é desenhada para proteger e nacionalizar, em lugar de promover maior competitividade das empresas. Veja-se a política de nacionalizar os insumos da Petro- brás. Só há uma forma de uma economia se tornar mais competi- tiva: praticar a competição, o que não é desejo do empresário bra- sileiro do setor. Instrumentos importantes de política industrial têm sido rele- gados, como é o caso do uso do poder de compra e de regulamen- tação técnica do Estado, entre outros. Exemplo: com 210 milhões de habitantes, ameaçados por dengue, chicungunha e zika, o valor das vacinas necessárias para imunizar a população interessa a muitas empresas internacionais que trabalham na área de vacinas. Um adequado processo licitatório, para entrada nesse mercado, poderia constituir oportunidade ímpar para estimular o desenvolvi- mento de novas vacinas. Este mercado tem força para mobilizar o mundo todo. Outro exemplo: coreanos e americanos alegam ter tec- nologia de vestuário repelente ao mosquito vetor dessas doenças – e nós continuamos sem aproveitar a oportunidade de negócios e sem proteger a população. Tem-se pouca experiência com esse tipo de fomento. O poder de barganha do Governo Federal é um instru- mento possante praticamente sem uso. Um aspecto curioso e relacionado em como as agências interna- cionais veem o Brasil é que embora façam comparações com outros países e trabalhem com rankings no que concerne à inovação, não Competitividade e competitividade: 95