benefício desta medida se acentuou a partir dos anos 1990, quando
o Brasil se tornou uma economia menos fechada. Na linha de con-
clusões, é possível também afirmar que inúmeros fatores concor-
rem para a competitividade da firma e da competitividade sistêmica
e que a inovação tecnológica é apenas uma delas. De outro modo, é
possível admitir que as elevadas taxas de crescimento do PIB, veri-
ficadas nas décadas da segunda metade do século passado, 6 a 7%
em média, se deram no estágio impulsionado e orientado pela efi-
ciência, e esta eficiência tem relação com recursos humanos, com
algumas políticas públicas, com cenário internacional e não deve
ser atribuída à R&D in house.
Na mesma linha e de acordo com o mesmo autor, o conjunto de
políticas públicas, entre elas as políticas industriais e as políticas
de C&T, não evitaram a desindustrialização recente da economia
nacional. O Brasil é pouco competitivo na sua indústria e pouco
inovou em produtos e em processos. Isto sugere que as políticas
não estão corretas, não foram eficientes para nacionalizar certos
setores industriais e criaram a “indústria dos subsídios”. A atual
política industrial, na sua essência, é desenhada para proteger
e nacionalizar, em lugar de promover maior competitividade das
empresas. Veja-se a política de nacionalizar os insumos da Petro-
brás. Só há uma forma de uma economia se tornar mais competi-
tiva: praticar a competição, o que não é desejo do empresário bra-
sileiro do setor.
Instrumentos importantes de política industrial têm sido rele-
gados, como é o caso do uso do poder de compra e de regulamen-
tação técnica do Estado, entre outros. Exemplo: com 210 milhões
de habitantes, ameaçados por dengue, chicungunha e zika, o valor
das vacinas necessárias para imunizar a população interessa a
muitas empresas internacionais que trabalham na área de vacinas.
Um adequado processo licitatório, para entrada nesse mercado,
poderia constituir oportunidade ímpar para estimular o desenvolvi-
mento de novas vacinas. Este mercado tem força para mobilizar o
mundo todo. Outro exemplo: coreanos e americanos alegam ter tec-
nologia de vestuário repelente ao mosquito vetor dessas doenças –
e nós continuamos sem aproveitar a oportunidade de negócios e
sem proteger a população. Tem-se pouca experiência com esse tipo
de fomento. O poder de barganha do Governo Federal é um instru-
mento possante praticamente sem uso.
Um aspecto curioso e relacionado em como as agências interna-
cionais veem o Brasil é que embora façam comparações com outros
países e trabalhem com rankings no que concerne à inovação, não
Competitividade e competitividade:
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