que ainda persiste a falsa crença que país avançado, com expres-
sivo produto interno em relação à população, é país densamente
industrializado. Os casos da Austrália e Chile mostram que parte
expressiva da renda nacional pode ser gerada nos setores primário
e terciário.
Entretanto, o modelo de modernização tecnológica da agricul-
tura brasileira não pode ser mecanicamente transplantado para
a indústria, visto que o setor agropecuário é menos concentrado,
com menos barreiras à entrada, sendo comum ter-se no mesmo as
forças de mercado como determinante principal da mudança téc-
nica, teorias da demand pull, vis à vis às influências derivadas da
visão da oferta tecnológica como um impulso autônomo ou quase
autônomo, teorias do technology push. Dizendo de outro modo, o
que vale para o setor agropecuário, uma empresa estatal que gera
e difunde inovações, não se aplica mecanicamente ao setor secun-
dário. (BAIARDI, 2011).
A partir dos anos cinquenta do século passado, quando a
indústria passou a ser a maior responsável pelo crescimento do
PIB brasileiro, o que só deixa de acontecer nestes últimos anos
graças ao dinamismo do agronegócio, as mudanças técnicas res-
ponsáveis pela modernização dos processos produtivos resultaram
de um mix de medidas como aquisição de know-how, importação
de bens de capitais e investimentos diretos e neste conjunto teve
diminuto papel a P&D in house, o que demonstra inequivocamente
os dados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), criada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, e
divulgada a cada três anos. No último balanço realizado pelo Minis-
tério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC),
em Brasília, a diretora de Estudos e Políticas Setoriais de Inova-
ções e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), Fernanda De Negri (De NEGRI; SQUEFF, 2016), defendeu o
aprimoramento da PINTEC, a fim de identificar o motivo pelo qual
a inovação no Brasil “não decola”, não obstante o aperfeiçoamento
das políticas públicas da área de ciência, tecnologia e inovação,
como a criação da Lei do Bem, da Lei da Inovação, do Novo Marco
Regulatório de C&T&I e o aumento da oferta de linhas de crédito
pela Finep e BNDES.
Em suma, é possível concluir que a industrialização do Brasil a
qualquer custo, que segundo Baiardi (2016) tem início na metade
do século passado, não dependeu de conhecimento autóctone e não
dependeu de R&D in house. A aquisição de bens capitais (máquinas
e equipamentos) ainda é a principal inovação do setor industrial e o
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Amilcar Baiardi