Pedras e Demônios pd53 | Page 95

rida na indústria nacional. Contudo, quando se inclui o agronegó- cio, a produção vegetal e animal e todas as atividades a montante e a jusante do segmento primário, propriamente, observa-se que nesse amplíssimo setor a dinâmica das últimas décadas tem sido impulsionada pelas mudanças técnicas, pelas inovações tecnológi- cas de processo e de produto. A gestão da inovação no agronegócio é extremamente diferen- ciada e vai desde as clássicas inovações induzidas de que fala Hayami e Ruttan (1988), quando os agricultores iam “bater na porta” dos centros de pesquisa em ciências agrárias, até o pool de cooperação envolvendo fornecedores de insumos, fornecedores de equipamen- tos, especificações dos processadores, parcerias e protagonismos entre agricultores, contribuições de institutos de pesquisa e univer- sidades que atuam nas ciências agrárias, entre outros. Efetivamente, no agronegócio podem-se distinguir categorias diferenciadas em razão da sua estrutura e tipo de relação com outros atores econômicos. Existem negócios que se assemelham a outras commodities industriais, há outros de base tecnológica, entre os quais se incluem os fornecedores de sementes e matrizes, há fornecedores industriais especializados etc. Cada um desses negócios tem um tipo de relação com clientes, fornecedores, con- correntes e outros atores. Essas relações são governadas por regras próprias que caracterizam o tipo de negócio, o que torna a gestão da inovação, como referido antes, extremamente diferenciada quanto à complexidade, ao número e à qualidade dos agentes. Os dados apresentados no relatório The Brazil Competitiveness Report 2009 © 2009 demonstram que a inovação tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento da agricultura brasileira e, sobretudo nas últimas décadas, tem permitido o crescimento e o bom desempenho do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, o setor tem demonstrado que a exposição ao mercado internacional foi o principal acicate para inovar, que a pesquisa pública já não é estratégica na geração de conhecimentos e inovação, que financia- mento do governo perde progressivamente importância e que o ritmo de modernização, embora inclua pequenos, médios e grandes produ- tores, é cada vez mais seletivo porque a propensão a assumir riscos da modernização não se estende a todos os agricultores brasileiros. Não obstante o fenômeno que se tornou o Brasil na performance de produção de alimentos e o papel destaque que assumiu em todo o mundo, o que parece mais preocupar analistas, policy makers e a opinião pública em geral é o que acontece no setor secundário, por- Competitividade e competitividade: 93