A competitividade alcançada na diversificação e reciclagem de
produtos ou na modernização e racionalização dos processos pro-
dutivos é aquela que se dá no nível microeconômico. Ela é essen-
cial para que um determinado território ou um Estado-nação possa
se tornar mais próspero, pois uma economia nacional tem uma
performance que a soma de todas as unidades de produção.
As relações comerciais entre regiões com diferentes níveis de
competitividade, baseados em conhecimento aplicado aos setores
produtivos, leva à inequalização do fator-preço e a imperfeições de
mercados em favor daquelas com melhor nível de informação. Isto
ocorre na maioria dos setores e estariam excluídos desse diferencial
criado pelo território apenas os bens cuja produção não seja obvia-
mente beneficiada pelo avanço do conhecimento.
Entretanto, para um Estado-nação, conta também outro tipo
de competitividade que é a competitividade sistêmica, aquela que
é alcançada mediante a redução dos custos de transporte, arma-
zenamento, comunicações, transações etc. Isto exige que as fir-
mas participem de parcerias com vistas a racionalizar a logística
e a infraestrutura e também de iniciativas com vistas a reduzir as
operações relacionadas ao comércio regional e internacional, tran-
sações alfandegárias etc. Cooperar com o governo para elevar a
competitividade sistêmica é essencial, visto que não basta ser viá-
vel economicamente até os portões ou porteiras, mas sim até os
destinos, para que possam ser estimados os custos finais, Free on
Board (FOB) ou Cost, Insurance and Freight (CIF).
O Global Competitiveness Index (GCI), inserido no The Brazil
Competitiveness Report 2009 e elaborado pelo World Economic
Forum e pela Fundação Dom Cabral (2009), classifica os diferen-
tes países dentro de três específicos estágios de desenvolvimento: o
primeiro seria impulsionado por fatores, o segundo pela eficiência
e o terceiro orientado e impulsionado pela inovação. O Brasil é cor-
rentemente localizado no estágio de impulsionado e orientado pela
eficiência. Isto significa que na história do país, a rigor, a inovação
não desenvolveu papel significativo na dinâmica econômica, o que
efetivamente não aconteceu em todos os casos.
Reconhece-se que, no setor secundário, isto pode ter se verifi-
cado em grande medida, o que significa que as mudanças técnicas
que ocorreram na indústria nacional se deram em grande medida
através de licenças ou pela aquisição de bens de capital e insumos
modernos ou investimentos diretos de empresas internacionais. Há
também casos de implantação no Brasil de centros de P&D de mul-
tinacionais, mas não se pode atribuir a estes a modernização ocor-
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Amilcar Baiardi