Pedras e Demônios pd53 | Seite 94

A competitividade alcançada na diversificação e reciclagem de produtos ou na modernização e racionalização dos processos pro- dutivos é aquela que se dá no nível microeconômico. Ela é essen- cial para que um determinado território ou um Estado-nação possa se tornar mais próspero, pois uma economia nacional tem uma performance que a soma de todas as unidades de produção. As relações comerciais entre regiões com diferentes níveis de competitividade, baseados em conhecimento aplicado aos setores produtivos, leva à inequalização do fator-preço e a imperfeições de mercados em favor daquelas com melhor nível de informação. Isto ocorre na maioria dos setores e estariam excluídos desse diferencial criado pelo território apenas os bens cuja produção não seja obvia- mente beneficiada pelo avanço do conhecimento. Entretanto, para um Estado-nação, conta também outro tipo de competitividade que é a competitividade sistêmica, aquela que é alcançada mediante a redução dos custos de transporte, arma- zenamento, comunicações, transações etc. Isto exige que as fir- mas participem de parcerias com vistas a racionalizar a logística e a infraestrutura e também de iniciativas com vistas a reduzir as operações relacionadas ao comércio regional e internacional, tran- sações alfandegárias etc. Cooperar com o governo para elevar a competitividade sistêmica é essencial, visto que não basta ser viá- vel economicamente até os portões ou porteiras, mas sim até os destinos, para que possam ser estimados os custos finais, Free on Board (FOB) ou Cost, Insurance and Freight (CIF). O Global Competitiveness Index (GCI), inserido no The Brazil Competitiveness Report 2009 e elaborado pelo World Economic Forum e pela Fundação Dom Cabral (2009), classifica os diferen- tes países dentro de três específicos estágios de desenvolvimento: o primeiro seria impulsionado por fatores, o segundo pela eficiência e o terceiro orientado e impulsionado pela inovação. O Brasil é cor- rentemente localizado no estágio de impulsionado e orientado pela eficiência. Isto significa que na história do país, a rigor, a inovação não desenvolveu papel significativo na dinâmica econômica, o que efetivamente não aconteceu em todos os casos. Reconhece-se que, no setor secundário, isto pode ter se verifi- cado em grande medida, o que significa que as mudanças técnicas que ocorreram na indústria nacional se deram em grande medida através de licenças ou pela aquisição de bens de capital e insumos modernos ou investimentos diretos de empresas internacionais. Há também casos de implantação no Brasil de centros de P&D de mul- tinacionais, mas não se pode atribuir a estes a modernização ocor- 92 Amilcar Baiardi