lar os investimentos e facilitar a iniciativa privada. Enquanto não
houver pressão excessiva sobre a oferta e sinais de desequilíbrio
externo, a carga tributária deve ser significativamente menor.
A taxa básica de juros deveria ser reduzida, acompanhada do
anúncio de que, a partir de agora, seria sempre fixada abaixo da taxa
nominal de crescimento da renda. Simultaneamente, dever-se-ia
promover a modernização do sistema monetário, substituindo
as LFTs e as chamadas Operações Compromissadas, que hoje
representam metade da dívida pública, por depósitos remunera-
dos no Banco Central. Adicionalmente, seria dado acesso direto ao
público, não apenas aos bancos comerciais, às reservas remunera-
das no Banco Central. A modernização do sistema, com redução de
custos e grandes ganhos de eficiência no sistema de pagamentos,
passaria ainda pela criação de uma moeda digital do Banco Central,
que abriria o caminho para um governo digital e desburocratizado.
Para garantir a eficiência dos investimentos e o ganho de produ-
tividade, dever-se-ia promover uma abertura comercial programada
para integrar definitivamente a economia brasileira na economia
mundial. O prazo de transição para a completa abertura comercial
deveria ser pré-anunciado e de no máximo cinco anos.
Por fim, mas não menos importante, seria fundamental criar
mecanismos eficientes, idealmente através da contratação de agên-
cias privadas independentes, para avaliação de custos e benefícios
dos gastos públicos em todas as esferas do setor público. A polí-
tica fiscal é da mais alta relevância para o bom funcionamento da
economia e para o bem-estar da sociedade. Compreender que o
governo não tem restrição financeira não implica compactuar com
um Estado inchado, ineficiente e patrimonialista, que perde de
vista os interesses do país. Ao contrário, redobra a responsabili-
dade e a exigência de mecanismos de controle e avaliação sobre a
qualidade, os custos e os benefícios, dos serviços e dos investimen-
tos públicos.
Estas linhas gerais de políticas, sugeridas pelo novo paradigma
macroeconômico, correm o risco de desagradar a gregos e troianos.
Não se encaixam, nem no populismo estatista da esquerda, nem no
dogmatismo fiscalista da direita. Como observou, de maneira pre-
monitória, Abba Lerner, em seu ensaio de 1943, os princípios das
Finanças Funcionais são igualmente aplicáveis numa sociedade
comunista, como numa sociedade fascista, como numa sociedade
capitalista democrática. A diferença é que se os defensores do capi-
talismo democrático não os compreenderem e adotarem, não terão
A crise da macroeconomia
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