chance contra aqueles que vierem a adotá-los. No primeiro ensaio
de Juros, Moeda e Ortodoxia, sustento que, durante o século XX,
o liberalismo econômico perdeu a batalha pelos corações e pelas
mentes dos brasileiros. Embora a história tenha mostrado que seus
defensores, desde Eugênio Gudin, estavam certos sobre os riscos
do capitalismo de Estado, do corporativismo, do patrimonialismo e
do fechamento da economia à competição, foram derrotados porque
adotaram um dogmatismo monetário quantitativista equivocado.
Tentaram combater a inflação promovendo um aperto da liquidez.
O resultado foi sempre o mesmo: recessão, desemprego e crise ban-
cária. Expulsos do comando da economia pela reação da sociedade,
seus defensores recolhiam-se para lamentar a demagogia dos polí-
ticos e a irracionalidade da população. Quase sete décadas depois
de Gudin, os liberais voltam a comandar a economia. O apego
a um fiscalismo dogmático e a um quantitativismo anacrônico
pode levá-los, mais uma vez, a voltar para casa mais cedo do que
se imagina.
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André Lara Resende