como disse em outro artigo, a Lei é fundada na contenção da pulsão
humana, traço atávico da nossa barbárie, que se reproduz, latente,
em cada novo ser humano que nasce. Civilização é aquilo que nos
distingue dos animais, uma envoltória, um manto que tenta conter
nossas forças pulsionais.
No bloco histórico que se inicia no século XXI, novos conflitos e
desafios surgem, como o fundamentalismo islâmico, porém os paí-
ses, em sua maioria absoluta, esforçam-se para materializar este
paradigma: democracia como valor universal.
As ideologias devem ser subsumidas pela práxis democrática
O século XXI destaca-se como era da comunicação. A internet
e a tecnologia da informação e comunicação perpassam todas as
sociedades, com maior ou menor intensidade, alterando suas for-
mas de produzir, viver e interagir com o outro. E como fica o sujeito
atravessado por tanta informação? No campo das formações ideoló-
gicas, somos herdeiros desta longa trajetória da humanidade.
É evidente que as experiências históricas socialistas falharam
na construção de novas sociedades, na vã esperança de criar um
novo homem na terra, menos ambicioso, posto que desconheceria o
conceito de propriedade privada. Dois erros estruturais: o primeiro,
foi subestimar a complexidade do desejo humano; o outro, foi des-
cobrir que aquilo que você toma pela força tem que manter, pelo
menos por algumas gerações, na força, precisando suprimir, neces-
sariamente, as liberdades individuais – caindo sempre em experi-
ências de regimes totalitários, tão cruéis como aqueles regimes que
tentavam substituir, aprimorando-os.
Assim, o que se impõe hoje é a adequação dos anseios utópicos
humanitários, de um lado, com a fúria da acumulação de capital,
do outro – tendências que se confrontaram durante séculos – sub-
sumindo-as pelo ambiente democrático. O capitalismo – aparente
vencedor dessa disputa – precisa dar conta das contradições estru-
turais de seu modo de produção, onde quase sempre deixa um
enorme rastro de pobreza e desigualdade social, ao lado da riqueza.
Ao socialismo cabe atuar como força reguladora, apontando solu-
ções para tais contradições do modo de produção capitalista – aliás,
o único existente em nossa era moderna.
Socialistas e liberais, após séculos de lutas, encontram-se hoje
juntos em cima de uma ravina da História, olhando o vasto futuro
democrático que a humanidade tem pela frente. É neste universo
que as diferentes visões e práxis políticas têm que atuar. Os dese-
Ideologia política, história e democracia
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