país precisa, não de polêmicas que nada mudam nem enriquecem
a discussão política.
Polêmica que vale a pena
Felizmente, há alguns corajosos, como André Lara Resende,
principal formulador da reforma monetária que criou o Real. Ele
ousou fazer no Brasil a discussão do tema macroeconômico mais
quente nos EUA – a “teoria monetária moderna” ou MMT, no acrô-
nimo em inglês.
A tese, que não é nova apesar da sigla, sustenta que países que
se endividam na própria moeda e com inflação baixa não precisam
se prender a restrições orçamentárias. O foco que importa é ter
taxa de juros do Banco Central sempre abaixo da taxa de cresci-
mento nominal do PIB e tratar com medidas fiscais eventuais pres-
sões sobre a inflação.
Esta, sim, é polêmica das boas. Num mundo em que velhos
paradigmas foram ou estão sendo desconstruídos pela tecnologia,
não faz sentido a política econômica dominante ser tratada como
dogma. Se ao menos ela fosse eficaz... mas, sinceramente, quem
defende o que está aí?
De dogmas e anacronismos
Lara Resende faz um alerta pertinente: o risco de que “o apego
a um fiscalismo dogmático e a um quantitativismo anacrônico”
possa levar os liberais que comandam a economia “a voltar para
casa mais cedo do que se imagina”. Travamos tal discussão há bom
tempo, com a ênfase, de minha parte, nas disrupções em curso pela
tecnologia.
O ministro Paulo Guedes tem, em seu entorno, técnicos que
conhecem o poder das transformações, sobretudo da inteligência
artificial, campo em que se opõem EUA e China sob o disfarce de
uma guerra comercial.
Não há futuro sem presença relevante nas inovações tecnoló-
gicas, que abarcam tudo, das comunicações à agricultura. Mas
sem crescimento nem empregos, educação eficiente e setor público
governado não há nem por onde começar. Esta ficha caiu na
Câmara. Falta o governo despertar.
42
Antonio Machado