ções de 2020, todos se servindo de perfis nas redes sociais, que ao
menos ele use tal instrumental ou o libere a seus ministros a fim de
introduzir realismo e boas polêmicas na discussão sobre questões
de relevo.
O que ensina o passado
Se os problemas brasileiros são complexos e incompreensíveis
até aos “especialistas” que têm resposta para tudo, imagine-se para
quem nem mesmo comandou um quartel em sua breve passagem
pelo Exército, com pouca cultura e encantado com o barulho provo-
cado pelo que posta no Twitter e no Facebook. Talvez lhe faça bem
aprender a governança dos governos militares que tanto elogia.
Nos governos dos generais Médici e Figueiredo, ambos também
de pouco brilho, eles se informavam sobre a administração e o país
em reuniões matinais, às 9h, com a pauta conduzida pelo chefe da
Casa Civil, o então jurista João Leitão de Abreu, e mais os minis-
tros da Economia e do equivalente ao atual Gabinete de Segurança
Institucional. As decisões eram tomadas pelo presidente depois de
ouvir seu time principal.
Decisões colegiadas são comuns em grandes empresas. Visam
filtrar a decisão e proteger a organização contra voluntarismos.
Dá-se o mesmo em democracias relevantes, ainda mais nesses tem-
pos de informação instantânea e intromissões externas para mani-
pular a opinião pública.
Iniquidades consentidas
O Brasil nunca foi fácil e se complicou com a autonomia conquis-
tada no grito ou por força legal pelas corporações de Estado e usada
para criar privilégio, parte dos quais o governo vai tentar cortar com
a reforma da Previdência. Ela ficou insustentável com a porteira
aberta aos recursos públicos, que é o que explica uma economia
estagnada prover sustento a 94 milhões de pessoas, 44% da popula-
ção, entre salário de funcionários, pensão e ajuda assistencial.
Também é o que explica estatísticas bizarras, sem similar no
mundo, como 16 mil sindicatos, 35 partidos e 77 aguardando auto-
rização. Não fossem o imposto sindical (que já caiu) e os fundos
(fornidos com verba oficial) partidário e eleitoral, nada disso existi-
ria, não como negócios privados e até com dono.
É de reformas para exterminar tais iniquidades consentidas,
várias banidas pelo Congresso, mas recuperadas pelo STF, que o
Boca no trombone
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