Pedras e Demônios pd53 | Page 43

ções de 2020, todos se servindo de perfis nas redes sociais, que ao menos ele use tal instrumental ou o libere a seus ministros a fim de introduzir realismo e boas polêmicas na discussão sobre questões de relevo. O que ensina o passado Se os problemas brasileiros são complexos e incompreensíveis até aos “especialistas” que têm resposta para tudo, imagine-se para quem nem mesmo comandou um quartel em sua breve passagem pelo Exército, com pouca cultura e encantado com o barulho provo- cado pelo que posta no Twitter e no Facebook. Talvez lhe faça bem aprender a governança dos governos militares que tanto elogia. Nos governos dos generais Médici e Figueiredo, ambos também de pouco brilho, eles se informavam sobre a administração e o país em reuniões matinais, às 9h, com a pauta conduzida pelo chefe da Casa Civil, o então jurista João Leitão de Abreu, e mais os minis- tros da Economia e do equivalente ao atual Gabinete de Segurança Institucional. As decisões eram tomadas pelo presidente depois de ouvir seu time principal. Decisões colegiadas são comuns em grandes empresas. Visam filtrar a decisão e proteger a organização contra voluntarismos. Dá-se o mesmo em democracias relevantes, ainda mais nesses tem- pos de informação instantânea e intromissões externas para mani- pular a opinião pública. Iniquidades consentidas O Brasil nunca foi fácil e se complicou com a autonomia conquis- tada no grito ou por força legal pelas corporações de Estado e usada para criar privilégio, parte dos quais o governo vai tentar cortar com a reforma da Previdência. Ela ficou insustentável com a porteira aberta aos recursos públicos, que é o que explica uma economia estagnada prover sustento a 94 milhões de pessoas, 44% da popula- ção, entre salário de funcionários, pensão e ajuda assistencial. Também é o que explica estatísticas bizarras, sem similar no mundo, como 16 mil sindicatos, 35 partidos e 77 aguardando auto- rização. Não fossem o imposto sindical (que já caiu) e os fundos (fornidos com verba oficial) partidário e eleitoral, nada disso existi- ria, não como negócios privados e até com dono. É de reformas para exterminar tais iniquidades consentidas, várias banidas pelo Congresso, mas recuperadas pelo STF, que o Boca no trombone 41