1- transparência aos distintos orçamentos da Seguridade e da
Previdência Sociais;
2- conjugação de justiça social e de adaptação às dinâmicas
demográfica e do mercado de trabalho;
3- estrito compromisso com o princípio constitucional da soli-
dariedade (Art. 3º, inciso I da CF).
Destarte, as análises já feitas e as medidas e ações do governo
Bolsonaro, nestes poucos meses, já nos permitem esboçar e discu-
tir elementos de uma tática para enfrentá-lo.
O primeiro passo é reconhecer que os democratas de esquerda
e de centro sofreram uma séria derrota e que, diante disto, é neces-
sário recuar de suas posições anteriores a outubro de 2018. Esta é
uma ação indispensável para unir os democratas, atrair ou neutra-
lizar os setores democráticos que votaram em Bolsonaro e aqueles
que irão perder com as medidas deste governo.
Pela grande esperança que fora empenhada no PT pelo povo bra-
sileiro, merece destaque analisar o comportamento de seus dirigen-
tes. De fato nem há mais por que cobrar-lhes qualquer autocrítica,
porquanto do ponto de vista deles não haveria mesmo que fazê-la:
seja por estarem embasados no referencial teórico do populismo
latino-americano, tido como “revolucionário” e “de esquerda” –
e encarnado na figura indiscutivelmente carismática de Lula – seja
pelo jogo oportunista que aceitam fazer com os interesses de seu
“vitimizado” líder, renunciando a compromissos e alianças com
outras lideranças democráticas pelo bem do país e de seu povo,
conforme se comportaram ostensiva e lamentavelmente nos dois
turnos das eleições, conduta que segue reiterada nestes primeiros
meses do governo Bolsonaro.
Outro passo é dar sentido e esperança a uma “esquerda órfã”,
uma massa de milhões de cidadãos, reformistas, sensíveis à ques-
tão social no Brasil, que até hoje não conseguiu se libertar do “Lula
Livre”, gente que foi traída pelo PT, gente que não sabe pra onde
ir. Essa massa de esquerda não pode jamais ser confundida com
a alta cúpula do petismo. É preciso tratá-la de maneira distinta,
visando ações conjuntas.
Já acusamos que os conflitos e divisões no governo Bolsonaro
advêm, no fundamental, da diversidade de seus eleitores. Não
somente aquela derivada do que vem se chamando de “antipe-
tismo”, mas também aquela contida em seu eleitorado no primeiro
turno, um contingente desorganizado, movido pela antipolítica,
Outra tática
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