Pedras e Demônios pd53 | Page 40

pelo medo, pelo preconceito. A linha que até agora o governo vem adotando demonstra que ele não governa para o conjunto de seus eleitores e muito menos para todo o povo brasileiro. Este contin- gente de eleitores de Bolsonaro, não contemplado pelas medidas do governo, embora difícil de ser atraído para uma ação comum com o centro e a esquerda, todavia pode ser neutralizado. Entretanto, há que assinalar que o atual governo conta com o apoio de 59% dos empresários (pesquisa CNI / Ibope). Dentre estes há que destacar o apoio do agronegócio, hoje o setor mais dinâmico da economia. Apesar de não termos números de uma pesquisa espe- cífica, todas as indicações são de que o apoio das camadas médias, que decisivo foi para a eleição de Bolsonaro, continua vigente, mas vem se reduzindo. É outro o movimento dos setores populares, não só pelo seu comportamento nas eleições, mas também pela reação à incapacidade do governo de mudar minimamente o quadro da economia, quando aposta todas as cartas na aprovação de seu pro- jeto de Reforma da Previdência, criticado pelas centrais sindicais e pelas lideranças populares. Outro problema é que, do lado de cá, do lado das forças refor- mistas ou “progressistas”, faltam nomes de referência que possam suprir a falta de um partido ou partidos que pudessem unir os democratas. Gente como Ciro e Marina teriam que se reinventarem para se livrarem de seu personalismo. As indicações são de que o conjunto de eleitores democráticos, delineados nos parágrafos precedentes, não quer um novo governo do PT e, portanto, que este partido não pode hegemonizar uma ampla aliança que permita evitar o pior, ou seja, a quebra das insti- tuições e princípios básicos da Constituição de 1988. Como alguns analistas já vêm apontando, há movimentos de alguns políticos de destaque no sentido de aproximar partidos do centro e da esquerda democrática, com hegemonia do centro. Pode ser uma alternativa. Mas não podemos cair no imobilismo ou na oposição retórica pela falta de líderes populares e democráticos com ampla base elei- toral. Estas forças podem se aproximar com base em um Programa Mínimo, discutido entre seus representantes, com vistas a dar um primeiro passo para sair da defensiva, isolando a chamada “ala ideológica” do governo. Tal Programa poderia incluir algumas ou mesmo todas as seguintes medidas: 38 Alfredo Maciel da Silveira; Ricardo Pessoa da Silva; Sergio Augusto de Moraes