pelo medo, pelo preconceito. A linha que até agora o governo vem
adotando demonstra que ele não governa para o conjunto de seus
eleitores e muito menos para todo o povo brasileiro. Este contin-
gente de eleitores de Bolsonaro, não contemplado pelas medidas do
governo, embora difícil de ser atraído para uma ação comum com o
centro e a esquerda, todavia pode ser neutralizado.
Entretanto, há que assinalar que o atual governo conta com o
apoio de 59% dos empresários (pesquisa CNI / Ibope). Dentre estes
há que destacar o apoio do agronegócio, hoje o setor mais dinâmico
da economia. Apesar de não termos números de uma pesquisa espe-
cífica, todas as indicações são de que o apoio das camadas médias,
que decisivo foi para a eleição de Bolsonaro, continua vigente, mas
vem se reduzindo. É outro o movimento dos setores populares, não
só pelo seu comportamento nas eleições, mas também pela reação
à incapacidade do governo de mudar minimamente o quadro da
economia, quando aposta todas as cartas na aprovação de seu pro-
jeto de Reforma da Previdência, criticado pelas centrais sindicais e
pelas lideranças populares.
Outro problema é que, do lado de cá, do lado das forças refor-
mistas ou “progressistas”, faltam nomes de referência que possam
suprir a falta de um partido ou partidos que pudessem unir os
democratas. Gente como Ciro e Marina teriam que se reinventarem
para se livrarem de seu personalismo.
As indicações são de que o conjunto de eleitores democráticos,
delineados nos parágrafos precedentes, não quer um novo governo
do PT e, portanto, que este partido não pode hegemonizar uma
ampla aliança que permita evitar o pior, ou seja, a quebra das insti-
tuições e princípios básicos da Constituição de 1988. Como alguns
analistas já vêm apontando, há movimentos de alguns políticos de
destaque no sentido de aproximar partidos do centro e da esquerda
democrática, com hegemonia do centro. Pode ser uma alternativa.
Mas não podemos cair no imobilismo ou na oposição retórica
pela falta de líderes populares e democráticos com ampla base elei-
toral. Estas forças podem se aproximar com base em um Programa
Mínimo, discutido entre seus representantes, com vistas a dar um
primeiro passo para sair da defensiva, isolando a chamada “ala
ideológica” do governo.
Tal Programa poderia incluir algumas ou mesmo todas as
seguintes medidas:
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Alfredo Maciel da Silveira; Ricardo Pessoa da Silva; Sergio Augusto de Moraes