Pedras e Demônios pd53 | Page 29

tica antiglobalista vigente na retórica do discurso governamental e que nos levou por gravidade a aderir ao Pacto de Paris sobre a ques- tão ambiental, em mais um evidente descompasso com a política levada a efeito até aqui. Importa ainda registrar o papel do Poder Legislativo em defesa da sua autonomia contra o Fuhrerprinzip que as hostes governamentais estão animadas a impor, derrogando a Constituição, se for preciso, em óbvio retorno à constitucionalidade do Estado Novo de 1937. O ator em política pode muito, mas, aprendemos com Maquia- vel, que ele não pode conformar o mundo dos fatos à sua vontade. Somos filhos do longo processo de modernização burguesa autoritá- ria brasileira. Nada que ocorre hoje é estranho à nossa experiência, e nem sempre estivemos do lado dos perdedores, pois contamos com nossos momentos de vitória, embora, como se constata agora, não tenhamos sabido extrair proveito delas. Esta é uma hora de consul- tá-la. Em boa parte, ela está narrada no baú de ossos da reflexão acumulada na rica produção da nossa sociologia, que, reaberto, deve nos indicar os bons remédios para os males atuais que nos afligem. O desencontro trágico entre a fortuna e o ator na experiência brasileira 27