humana. Mesmo com tudo o que aconteceu com ele e sua mulher,
não deixou que o seu coração fosse povoado pelo ódio. Todos pode-
mos olhar para ele com orgulho do seu passado de lutas em prol do
social, como defensor inflexível da cidadania e das liberdades ame-
açadas. De Wellington Mangueira pode-se dizer que combateu o
bom combate, dando tudo de si por um humanismo de base demo-
crática, que tem como norte uma sociedade livre, justa e solidária,
lapidada pela consciência. Compreendeu cedo o seu papel de não
conformista, de agente de transformação social dentro daquilo que
o destino construiu para ele.
Alguns acontecimentos ligaram a minha vida à de Wellington: o
primeiro quando fui convocado pelo reitor da Universidade Federal
de Sergipe e pelo arcebispo Dom Luciano Duarte para um ato de
“beija-mão” ao presidente Garrastazu Médici, que visitava Sergipe.
Essa história eu já contei em artigo publicado na revista CUM-
BUCA, décima edição. Faço um resumo: diante da minha recusa
em comparecer ao ato com o ditador, fui premido por argumen-
tos que me deixaram entre a cruz e a espada. Ao tempo em que a
minha ida ao encontro seria bastante desconfortável, já que com-
batia a ditadura, por outro lado não podia deixar de me solidarizar
com a aflição do reitor e do próprio arcebispo. Pela parte do reitor
João Cardoso, em razão da série de pressões que ele sofreu e estava
sofrendo para punir estudantes. Em relação a Dom Luciano, uma
ponderação fulminante fez com que eu revisse a minha posição: Tá
bom! Quando o senhor precisou de mim para salvar o seu amigui-
nho Wellington Mangueira eu prestei. Agora o senhor me dá as cos-
tas! Ele lembrava uma reunião que tivemos na Cúria Metropolitana
no período que Mangueira estava preso. Temíamos pela vida dele
e de sua mulher, Laurinha, por conta das notícias que recebíamos
sobre as torturas que vinham sofrendo em um quartel do exército
fora de Sergipe.
Lembro-me, também, quando fui indicado pelo Partidão para
recolher junto a algumas pessoas ligadas à Universidade Fede-
ral de Sergipe – professores, alunos e servidores – determinadas
quantias que seriam destinadas ao pagamento dos seus advoga-
dos. Na época, ele se encontrava preso com sua mulher. Outro fato
significativo foi recente, ele como diretor da Fundação Renascer
e eu como presidente do Tribunal de Contas. Diante da penúria
das finanças do Estado, ele me fez uma série de solicitações de
mobiliário, equipamentos de informática e materiais de construção
usados, além de um scanner corporal que tinha como meta evitar
o constrangimento das revistas íntimas aos visitantes dos menores
202
Clóvis Barbosa de Melo