Wellington Mangueira:
O bravo cavaleiro lendário
Clóvis Barbosa de Melo
M
erece todos os encômios o fato de um jovem jornalista, Mil-
ton Alves Júnior, interessar-se em escrever sobre um per-
sonagem intrigante da vida sergipana, ainda vivo, Welling-
ton Dantas Mangueira Marques. Esta sua obra, Continência a um
Comunista, traça um vasto panorama da vida desse líder estudan-
til na juventude, militante histórico do Partido Comunista Brasi-
leiro, preso político e torturado nos porões da ditadura militar que
assombrou o país de 1964 a 1985.
As sequelas psicológicas e traumatizantes produzidas pela tor-
tura sofrida em si e em sua mulher, Laurinha, não foram capazes
de destruir as suas vidas, mas serviram de bálsamo para justificar
a necessidade de resistir. Aos poucos, mesmo diante de uma socie-
dade amorfa, incapaz de entender a dor do torturado, soube com-
preender esse abismo e, para tanto, partiu para recompor a sua
existência como professor, desportista, advogado e gestor público.
A sua infância, a família, o amor de sua vida – companheira
Laurinha – os estudos no velho Atheneu, os acontecimentos políti-
cos que antecederam o golpe militar de 1964, a queda do governo
Jango, as prisões e as torturas sofridas, o exílio na antiga União
Soviética e a prisão quando buscava novo asilo no Chile de Allende,
tudo isso é contado para nos revelar a figura de um homem fra-
terno, que sonhava com um mundo mais justo e igualitário.
Todos sabem que durante o período ditatorial as maiores atroci-
dades foram cometidas contra os que se opunham ao regime. Estu-
dantes, intelectuais, políticos, sindicalistas, profissionais liberais
engajados, eram perseguidos e tidos como comunistas e terroris-
tas. Era preciso combatê-los. Muitos foram torturados, desapare-
cidos e mortos sem qualquer tipo de constrangimento dos donos
do poder. Muitas famílias não tiveram sequer o direito de dar um
enterro digno a seus parentes, uma vez que os corpos nunca foram
achados. Inúmeros presos políticos não resistiram e acabaram
mortos após sessões de tortura física ou psicológica, com utilização
dos métodos mais diversos, dentre os quais se destacam o pau-
de-arara, onde uma barra de ferro era atravessada entre os punhos
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Clóvis Barbosa de Melo