que, com o passar do tempo, iria assumir conotação de uma polí-
tica de frente única permanente.
Nesse artigo, ele mostra sua propensão a desenhar cenários
que balizassem a ação de mais alento (por exemplo, neste texto de
setembro de 1957 ele dizia: “diante de nós bifurca-se o caminho:
1) existe a possibilidade de transformar o atual governo, alterando
sua composição em favor das posições nacionalistas; 2) existe a
possibilidade menos imediata, porém mais provável, de formar um
governo desse tipo como resultante das eleições de 1958 e 1960”).
Nesse sentido da busca de pontos de referência para a frente
única no contexto do governo de JK, irá publicar, três meses após
a “Declaração de Março” (1958), o artigo “Uma ação positiva das
forças nacionalistas”, no qual também procura influenciar a ati-
tude construtiva dos comunistas na sua convivência pluralista com
correntes aliadas ou, ainda, por atraí-las à frente única da época,
explicitando sua visão muito diversa do que, no primeiro artigo de
1957, chamava de “hegemonia por decreto”.
Ele passará a ser referência no desenvolvimento da nova política
de 1958, tornando-se, como diria muito tempo depois um contem-
porâneo seu, a figura mais influente na moderna evolução do PCB.
Segundo memorialistas do seu tempo, no imediato pós-64,
suas ideias foram importantes tanto para elaborar a autocrítica em
relação à compreensão e desempenho do PCB durante o governo
Jango, como para formular a política de “resistência, isolamento
e derrota” (assim nesta sequência) do regime de 1964, como logo
iria estabelecer a “Resolução do Comitê Central” de maio de 1965.
A influência das suas reflexões seguirá na “Resolução final” do VI
Congresso de 1967, especialmente no tópico chamado “A mudança
do regime político”, tema insistente de Armênio naqueles primeiros
anos do novo governo. E se evidenciará sobremaneira na “Resolu-
ção” de março de 1970, aprovada pelo Comitê Estadual do PCB da
Guanabara, cujo texto, na verdade, é de sua autoria.
Nessa Resolução, ele mobiliza o conceito de “processo de fascisti-
zação do regime”, com o qual analisa a evolução mais repressiva da
ditadura após o Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968. Essa
evolução era um processo ainda em curso, sendo então passível de
ser barrado à medida que crescessem as oposições aos mais diver-
sos males provocados pelas ações oficiais e as reações cada vez mais
amplas ao próprio endurecimento do regime, que gerara crescentes
conflitos, reduzindo os apoios que havia angariado nos primeiros anos.
Caminho democrático para a democracia
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