Pedras e Demônios pd53 | Seite 189

que, com o passar do tempo, iria assumir conotação de uma polí- tica de frente única permanente. Nesse artigo, ele mostra sua propensão a desenhar cenários que balizassem a ação de mais alento (por exemplo, neste texto de setembro de 1957 ele dizia: “diante de nós bifurca-se o caminho: 1) existe a possibilidade de transformar o atual governo, alterando sua composição em favor das posições nacionalistas; 2) existe a possibilidade menos imediata, porém mais provável, de formar um governo desse tipo como resultante das eleições de 1958 e 1960”). Nesse sentido da busca de pontos de referência para a frente única no contexto do governo de JK, irá publicar, três meses após a “Declaração de Março” (1958), o artigo “Uma ação positiva das forças nacionalistas”, no qual também procura influenciar a ati- tude construtiva dos comunistas na sua convivência pluralista com correntes aliadas ou, ainda, por atraí-las à frente única da época, explicitando sua visão muito diversa do que, no primeiro artigo de 1957, chamava de “hegemonia por decreto”. Ele passará a ser referência no desenvolvimento da nova política de 1958, tornando-se, como diria muito tempo depois um contem- porâneo seu, a figura mais influente na moderna evolução do PCB. Segundo memorialistas do seu tempo, no imediato pós-64, suas ideias foram importantes tanto para elaborar a autocrítica em relação à compreensão e desempenho do PCB durante o governo Jango, como para formular a política de “resistência, isolamento e derrota” (assim nesta sequência) do regime de 1964, como logo iria estabelecer a “Resolução do Comitê Central” de maio de 1965. A influência das suas reflexões seguirá na “Resolução final” do VI Congresso de 1967, especialmente no tópico chamado “A mudança do regime político”, tema insistente de Armênio naqueles primeiros anos do novo governo. E se evidenciará sobremaneira na “Resolu- ção” de março de 1970, aprovada pelo Comitê Estadual do PCB da Guanabara, cujo texto, na verdade, é de sua autoria. Nessa Resolução, ele mobiliza o conceito de “processo de fascisti- zação do regime”, com o qual analisa a evolução mais repressiva da ditadura após o Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968. Essa evolução era um processo ainda em curso, sendo então passível de ser barrado à medida que crescessem as oposições aos mais diver- sos males provocados pelas ações oficiais e as reações cada vez mais amplas ao próprio endurecimento do regime, que gerara crescentes conflitos, reduzindo os apoios que havia angariado nos primeiros anos. Caminho democrático para a democracia 187