lação, então residente no mundo rural. Já a segunda transformação
consistirá no adensamento da vida política nacional.
Registremos um dado a ser levado em conta no pensamento de
Caio Prado Jr. Afora a anotação no livro sobre sua viagem à URSS
em 1934 (URSS, um novo mundo), na qual se refere às controvérsias
entre dirigentes russos sobre o perigo da burocratização do jovem
socialismo (Bukharin), citando a Robert Michels no livro famoso
Les partis politiques, Caio Prado Jr. mantém invariável alinhamento
ideológico com o socialismo soviético.
Não obstante, ele não mobiliza tal adesão como suporte da
construção de sua teoria do Brasil (segundo seus críticos de época,
ele violara o marxismo-leninismo, ao pôr sua ênfase na dimensão
da circulação para explicar a formação social brasileira). Após Evo-
lução política do Brasil, publica três, das quatro obras que havia
planejado – Formação do Brasil contemporâneo, de 1942 (e sua
continuação, que começa a escrever em 1943, História econômica
do Brasil, publicada em 1945), e, muito tempo depois, A revolução
brasileira (1966). Os dois livros escritos nos anos 1940 lastreiam
suas divergências com o PCB, quando atuava, no tempo do Estado
Novo, como quadro partidário influente, principalmente nos anos
1944 e 1945. Acrescida a monografia Diretrizes para uma política
econômica brasileira, de 1954 (não por acaso publicada no tempo
do debate cepalino), essas obras convergem numa visão de Brasil
que sustenta suas avaliações da política brasileira nos anos nacio-
nal-desenvolvimentistas.
No seu itinerário intelectual e publicista, Caio Prado Jr. con-
tribui para o desenho de um marco programático e já às vésperas
dos levantes de 1935 lança a palavra de ordem da democratização
do país e o que anteriormente chamamos de adensamento da polí-
tica nacional. Vista em conjunto, sua contribuição visa a superar
a esterilidade da política predominante, bem como a “falsa polari-
zação” entre interesses personalistas e aventureiros e a oposição
udenista, que iriam levar o país a uma situação de “desequilíbrio
catastrófico”, como se vê nas suas análises de conjuntura publica-
das na Revista Brasiliense entre 1955 e 1964.
Esse quadro de teorização para a ação prática (sobre a qual
Caio Prado Jr. era cobrado por seus críticos, pois nos primeiros
anos do pós-64 ele não valoriza tanto a frente política antiditatorial)
fica incompleto se não se menciona suas primeiras anotações sobre
o “capitalismo burocrático” brasileiro não produtivista, como já se
aludiu, ou mais precisamente sua referência ao Estado cartorial, de
Caminho democrático para a democracia
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