nômico e social do Brasil. Mas são claramente insuficientes para
promover um efetivo desenvolvimento da Região e uma rápida e
consistente convergência econômica e social com as outras regiões
brasileiras. Além de continuar dependente destes instrumentos
compensatórios depois de tantos anos, o Nordeste tem se limitado a
acompanhar, à distância, o desempenho da economia e dos indica-
dores sociais do Brasil. Pelo menos no que se refere à transferência
de renda, quase continua válido o que Celso Furtado escreveu, há
60 anos, no diagnóstico do GTDN – Uma Política de Desenvolvimento
Econômico para o Nordeste (documento orientador da criação da
Sudene): “por seu caráter assistencial (transferências do governo
federal para o Nordeste), são gastos que quase nenhum efeito têm
na estrutura econômica e na capacidade de produção do sistema.
Por outro lado, os recursos que saem da região constituem, em sua
maior parte, capitais em busca de colocação. Se lá permanecessem
(no Nordeste), esses capitais iriam criar capacidade produtiva, ele-
var o nível médio de produtividade, absorver parte do excedente
populacional, elevar, enfim, o nível de vida da população nordes-
tina” (Furtado, 2009, p. 106).
O programa Bolsa Família beneficia pouco mais de seis milhões
de famílias do Nordeste, o que representa cerca de 51% de todos os
beneficiários do Brasil (dado de 2015), quando a população nordes-
tina equivale a menos de 28% dos brasileiros. E o BPC-Benefício de
Prestação Continuada distribuiu cerca de 35,6% do total nacional
no Nordeste. Em 2013, os três programas sociais (Bolsa Família,
Benefício de Prestação Continuada – BPC e Renda Mínima Vitalícia
– RMV) distribuíram R$ 23,43 bilhões de reais no Nordeste, mais do
dobro do crédito do FNE às empresas nordestinas (Monteiro Neto,
2017) e pouco mais do financiamento do BNDES no Nordeste, alta-
mente concentrado em alguns grandes empreendimentos produ-
tivos, como a Refinaria Abreu e Lima (em 2013, o financiamento
do BNDES chegou a R$ 21,73 bilhões). De acordo com Monteiro
Neto, a “novidade da última década, entretanto, está ligada ao nível
estabelecido pelo gasto social em transferências de renda a famílias
(PBF, BPC e RMV), que se tornou superior ao financiamento do
empreendimento produtivo da política regional e até mesmo riva-
lizou com o crédito ao investimento do próprio BNDES, como foi o
caso em 2013, quando PBF + BPC + RMV atingiram 3,8% do PIB
nordestino. No mesmo ano, o BNDES desembolsou fração similar
do PIB regional para o investimento empresarial”.
O Nordeste mudou, mas continua no mesmo lugar
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