Embora tenha o impacto reduzido pela baixa competitividade
sistêmica e pela deficiente produtividade das atividades produtivas,
o crédito subsidiado do FNE estimula o investimento e a produção.
A transferência de renda pode até contribuir para a economia pelo
efeito da demanda por bens-salários, mas, sendo um fluxo (e não
um ativo que gera um fluxo de renda), continuará sempre depen-
dente da continuidade da fonte geradora externa. Por isso, embora
seja muito justo, considerando a vulnerabilidade social das famí-
lias nordestinas, constitui uma desproporção que as transferências
de renda representem mais do dobro do financiamento do FNE.
2. O grande desafio
O grande estrangulamento do Nordeste é a enorme defasagem
de competitividade sistêmica da região em relação à média nacio-
nal, causa estrutural do atraso e da persistência da desigualdade
regional. A este estrangulamento se associa a baixa produtividade
das atividades produtivas, agravando a defasagem regional e a
incapacidade da região de competir no mercado nacional e inter-
nacional. Enquanto o Nordeste se mantiver com nível baixo de
competitividade sistêmica, comparado com as outras regiões do
Brasil, os incentivos fiscais e os subsídios creditícios e as políticas
de transferência de renda vão conseguir, no máximo, que a região
acompanhe o ritmo econômico e a melhoria dos indicadores sociais
do país. O desenvolvimento do Nordeste, com a rápida redução da
sua dependência de incentivos e de transferências, será possível
apenas quando a competitividade sistêmica da região se aproxime
da média nacional e das regiões mais desenvolvidas.
O gráfico 1 mostra a classificação da competitividade dos esta-
dos do Nordeste (estudo do Centro de Liderança Pública), eviden-
ciando a notável desvantagem da região em comparação com o Sul,
o Sudeste e mesmo o Centro-Oeste. Os estados destas regiões têm
alta competitividade, enquanto todos os estados do Nordeste estão
no intervalo de baixa competitividade (apenas Pernambuco, primeiro
do Nordeste, está um pouco acima da média do Brasil - 50,2) 1 .
1 O estudo do Centro de Liderança Pública / The Economist-Inteligence Unit com-
bina um conjunto de 10 pilares (incluindo educação, capital humano, inovação
e infraestrutura), desdobrados em 73 indicadores que expressam o diferencial de
competitividade dos estados.
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Sérgio C. Buarque