cular os agentes governamentais, não sejam apenas sensíveis às
demandas sociais e aos reclamos dos excluídos, mas estabeleçam
nexos entre a ação política e a ação social, de forma adequada e
responsável.
Necessário superar uma certa cumplicidade congênita com a
cultura da pobreza; imperativo superar alguns mitos imbricados
historicamente no gerenciamento das políticas sociais, sobretudo
na política de assistência social: a ênfase no processo e não no
resultado; o maior apego ao problema e não à solução; a vagaro-
sidade nos procedimentos e fluxos de encaminhamentos distan-
ciados da ética da urgência. Vários fatores negativos inerentes à
gerência da assistência social, enraizados na prática e na visão de
mundo de alguns agentes sociais, corroboram a visão equivocada
de que o gasto social é ilegítimo e não um investimento imprescin-
dível no conjunto de projetos de desenvolvimento de uma nação.
Necessário integrar a vontade política e o compromisso de todos
em relação ao “social” a um gerenciamento competente. Neste sen-
tido, é indispensável a participação da comunidade, além da ade-
são aos programas; necessário assegurar a capacidade resolutiva
descentralizada do poder local e ainda trabalhar de forma flexí-
vel, levando em conta a heterogeneidade das muitas realidades e
demandas diferenciadas de um país continental.
Não raro, em algumas localidades, os benefícios e ações desapa-
recem, ou são desviados para finalidades não previstas, ou mesmo
espúrias.
Esta constatação traz a nu e à luz o dilema centralização versus
descentralização. Todavia, este desafio só poderá ser enfrentado
com o aperfeiçoamento dos sistemas gerenciais de informação, ava-
liação e transparência, capacitação dos gestores sociais munici-
pais, e sobretudo, pela efetiva, autônoma e qualificada participação
da sociedade civil no controle social das políticas públicas.
Acreditamos que a política social não pode estar limitada a ate-
nuar os impactos negativos ou regressivos das políticas econômi-
cas. Também acreditamos que uma política econômica, inclusiva
aos segmentos excluídos, converte-se em política social. Acredita-
mos na centralidade da assistência social como fiadora do sentido
humanitário e solidário que deve reger as relações humanas e a
relação dos beneficiários com os serviços sociais setoriais básicos.
Não é por acaso que as ações de “fortalecimento de vínculos” no
âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) vem tendo,
cada vez mais, adesão e importância.
150
Denise Paiva