Pedras e Demônios pd53 | Page 152

cular os agentes governamentais, não sejam apenas sensíveis às demandas sociais e aos reclamos dos excluídos, mas estabeleçam nexos entre a ação política e a ação social, de forma adequada e responsável. Necessário superar uma certa cumplicidade congênita com a cultura da pobreza; imperativo superar alguns mitos imbricados historicamente no gerenciamento das políticas sociais, sobretudo na política de assistência social: a ênfase no processo e não no resultado; o maior apego ao problema e não à solução; a vagaro- sidade nos procedimentos e fluxos de encaminhamentos distan- ciados da ética da urgência. Vários fatores negativos inerentes à gerência da assistência social, enraizados na prática e na visão de mundo de alguns agentes sociais, corroboram a visão equivocada de que o gasto social é ilegítimo e não um investimento imprescin- dível no conjunto de projetos de desenvolvimento de uma nação. Necessário integrar a vontade política e o compromisso de todos em relação ao “social” a um gerenciamento competente. Neste sen- tido, é indispensável a participação da comunidade, além da ade- são aos programas; necessário assegurar a capacidade resolutiva descentralizada do poder local e ainda trabalhar de forma flexí- vel, levando em conta a heterogeneidade das muitas realidades e demandas diferenciadas de um país continental. Não raro, em algumas localidades, os benefícios e ações desapa- recem, ou são desviados para finalidades não previstas, ou mesmo espúrias. Esta constatação traz a nu e à luz o dilema centralização versus descentralização. Todavia, este desafio só poderá ser enfrentado com o aperfeiçoamento dos sistemas gerenciais de informação, ava- liação e transparência, capacitação dos gestores sociais munici- pais, e sobretudo, pela efetiva, autônoma e qualificada participação da sociedade civil no controle social das políticas públicas. Acreditamos que a política social não pode estar limitada a ate- nuar os impactos negativos ou regressivos das políticas econômi- cas. Também acreditamos que uma política econômica, inclusiva aos segmentos excluídos, converte-se em política social. Acredita- mos na centralidade da assistência social como fiadora do sentido humanitário e solidário que deve reger as relações humanas e a relação dos beneficiários com os serviços sociais setoriais básicos. Não é por acaso que as ações de “fortalecimento de vínculos” no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) vem tendo, cada vez mais, adesão e importância. 150 Denise Paiva