Acreditamos na importância da sociedade civil na formulação,
implementação, controle e avaliação das políticas públicas, partici-
pação consagrada em lei ou em decretos governamentais referentes
aos Conselhos. Todavia, não podemos deixar de assinalar o caráter
deletério da atuação de alguns Conselhos, o que reclama e impõe
urgente a superação do padrão conflitivo, ideológico, inconsistente
e pouco pragmático ainda presente no comportamento e na cultura
de fortalecimento de dissensos ainda presentes em atores sociais
que integram o corpo de conselheiros que têm assento nas ins-
tâncias de representação, nos espaços democráticos. Espaços tão
vitais para o dinamismo e efetividade das políticas públicas e não
raro resvalam para a paralização, o descrédito, comprometendo, de
forma radical, a consolidação e o avanço de programas e ações de
interesse do conjunto da sociedade, que não podem ser reféns de
interesses corporativos e/ou subterrâneos.
Uma nova cultura e compromisso cívico que supere as legítimas
divergências eleitorais, em outros momentos e espaços, deve nor-
tear uma nova opção política, imprescindível ao avanço das polí-
ticas sociais, sobremaneira no campo da assistência social e dos
direitos humanos. Esta opção política exige um olhar mais racional
e um mesmo ritmo, para que se consiga enxergar e operar no hori-
zonte do interesse maior e real da Nação como um todo.
Infelizmente, a percepção pública da urgente e imperiosa
Reforma do Estado no Brasil tem sido muito mais visualizada pelo
lado das perdas de alguns segmentos específicos, na maioria já
portadores de privilégios, do que pelos ganhos da sociedade como
um todo, em particular a imensa maioria de excluídos em situação
de extrema pobreza, acentuada vulnerabilidade e risco social.
A sustentabilidade política da assistência social é o principal
desafio e, podemos dizer, o principal dilema a ser superado. O Bra-
sil, há um quarto de século, já salvou os segmentos mais empobre-
cidos da chaga deletéria da hiperinflação. Mas há muito o que fazer
para além da estabilidade monetária para consolidar um projeto de
crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.
Serviços sociais básicos, universais e eficientes no âmbito da
saúde, educação e assistência social, atuando de forma comple-
mentar e integrada, estão na essência de um projeto de desenvol-
vimento nacional.
Nesta perspectiva ampla e indispensável, precisamos nos ater
às exigências de que os dirigentes e gestores públicos, em parti-
Assistência Social: dilemas e desafios
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