objetivos que nunca foram propriamente explicados ou debatidos.
Basta lembrar da “radicalidade democrática”, que foi sumindo len-
tamente do mapa conceitual do partido.
Faz-se mister, portanto, na presente conjuntura e com o novo
nome do partido, debater a cidadania e os direitos a ela vinculados,
de forma a criar uma identidade do Cidadania junto ao público.
Interessante assinalar que os diferentes direitos ligados à cidadania
acolhem e transcendem as ideias das principais correntes políticas
da história moderna: o liberalismo, por um lado, e o socialismo,
por outro lado. Os direitos civis e políticos são, por assim dizer, os
pontos mais fortes da tradição liberal; o pensamento socialista, por
sua vez, historicamente sempre deu maior atenção para as ques-
tões socioeconômicas, assim como a nova esquerda enfatiza mais
os direitos ligados à identidade.
Neste sentido, existe um paradoxo que será preciso enfrentar:
significaria então que, para um partido como o Cidadania, não há
mais razão em posicionar-se à esquerda do espectro político, já
que a luta pelos direitos de cidadania transcenderia as tradicionais
dicotomias liberalismo-socialismo e esquerda-direita? Aqui deve-
mos lembrar que a história do antecessor do Cidadania, o PPS, e
mesmo a do antigo PCB que antecedeu a este último, demonstrava
claramente um esforço por incorporar em seu ideário a democra-
cia como valor universal e, sendo assim, mesmo sem explicitá-lo,
estava incorporando partes do ideário liberal a partir de uma pers-
pectiva de esquerda. Por este motivo, o Cidadania não pode deixar
de apresentar-se como um partido pertencente a uma esquerda
específica, a esquerda democrática.
Se é verdade que o Brasil necessita avançar em todos os tipos
de direitos de cidadania, não se pode negar, por outro lado, que
é na área dos direitos sociais que o país evoluiu menos. Desde a
redemocratização, houve avanços significativos na área dos direitos
civis e políticos, com a Constituição de 1988 e o desenho institucio-
nal da federação daí advindo. Já a área dos direitos sociais parece
constituir a que mais necessita de atenção no presente momento.
A pobreza, o desemprego, os baixos salários da maior parte da
população e a precária organização dos serviços públicos limitam o
avanço em todas as áreas da cidadania, já que direitos civis, políti-
cos e sociais estão interligados.
A precarização dos direitos sociais parece um fenômeno con-
temporâneo que veio para ficar. Claro, apresenta diferentes graus
dependendo de que países ou regiões estamos falando, mas está
intimamente ligada a uma tendência da economia: a velocidade das
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Paulo César Nascimento