através de intervenções tópicas de engenharia de tráfego no fluxo
do trânsito (sincronização de semáforos, mudança de sentido de
ruas, desvios de tráfego, proibição de estacionamento etc.).
Como é sabido e sentido pelos cidadãos no seu cotidiano, estas
intervenções mitigadoras apenas aliviam a fluidez de determinados
gargalos de tráfego, não constituindo soluções duradouras para os
congestionamentos recorrentes.
A gravidade do problema requer mudança de paradigma. A ins-
tituição de pedágio urbano, por exemplo, passa a ser uma opção à
ortodoxia da engenharia viária.
Com efeito, a solução de longo prazo para a mobilidade urbana
já é conhecida: dar absoluta prioridade aos modais sustentáveis,
transporte público, bicicleta e andar a pé. Isso implica em desin-
centivar o uso de automóvel como modal preferencial.
O pedágio urbano (“congestion charging”, “urban toll” ou “con-
gestion pricing”) é uma maneira de promover esse desestímulo. O
mecanismo consiste em cobrar uma tarifa aos condutores de veícu-
los que circulem em determinadas áreas da cidade (semelhante ao
modelo de cobrança de pedágio nas rodovias concessionadas). Em
geral, os veículos coletivos ficam isentos de pagamento.
A ideia por trás da instituição da tarifa é a de que a imobili-
dade urbana é causada em larga escala pelo maior demandante
do espaço viário e maior gerador de tráfego: o transporte motori-
zado individual. Seu uso desenfreado acarreta prejuízos materiais,
sociais, ambientais e de saúde, e são injustamente socializados.
Portanto, este transporte tem que ser parte da solução do problema.
É uma questão de desequilíbrio entre oferta limitada do espaço
viário e excesso de demanda pelo seu uso, protagonizado pelo auto-
móvel. O preço (a tarifa do pedágio) vai ajudar a desestimular a
demanda.
O pedágio urbano, além de reduzir a quantidade de automó-
veis circulando na malha viária, tem uma vantagem adicional: gera
receitas para serem aplicadas em sustentabilidade urbana, parti-
cularmente em transportes coletivos. Daí existir entre os especia-
listas visível preferência por essa modalidade vis-à-vis o rodízio de
automóveis.
O rodízio (adotado em São Paulo e em outras grandes cida-
des como México, Santiago, Bogotá, Quito, Pequim, Atenas) busca
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Mauricio Costa Romão