Enfrentando a imobilidade urbana
Mauricio Costa Romão
T
odas as grandes cidades do mundo têm experimentado, nas
últimas décadas, expressivo crescimento populacional e
desenvolvimento urbano. Algumas delas se expandiram tanto
que se metropolizaram, integrando populações e áreas urbanas cir-
cunvizinhas num intenso processo de conurbação.
Não sem razão que a maioria dessas cidades perpassa crises de
mobilidade urbana, em particular, devidas aos imensos congestio-
namentos de veículos automotivos nos seus espaços viários.
No Brasil, a situação é agravada por conta da desoneração fis-
cal na produção de veículos, criando mais pressão sobre o uso do
espaço urbano, relativamente invariante.
Só em 2018 foram produzidos no país 2 milhões e 881 mil veí-
culos (os carros representam 95%) e exportados somente 629 mil. O
saldo foi adicionado à frota existente. Mais: a expectativa do mercado
é de que a produção automotiva brasileira cresça 11,3% em 2019.
A frota da capital pernambucana, por exemplo, é de 687 mil veí-
culos, à qual tem que se adicionar parte da frota dos outros municí-
pios da Região Metropolitana do Recife que se desloca diariamente
para a capital e retorna para seus redutos de origem. Considerando
apenas uma fração dos veículos vindos de Jaboatão, Olinda e Pau-
lista – a quantidade de veículos circulando nas ruas do Recife ultra-
passa um milhão de unidades.
Em cálculos aproximados, dos 102 mil novos veículos chegados
a Pernambuco no ano passado, não menos que 30 mil estão cir-
culando na malha viária da capital (talvez mais 35 mil, até o final
deste ano).
Há consenso entre os especialistas de que a busca de mobili-
dade urbana sustentável passa por uma mudança de cultura, onde
o transporte coletivo tem prioridade sobre a locomoção individual
motorizada.
Cientes dessa filosofia, mas impossibilitadas de melhorar os
modais alternativos de transporte, as administrações municipais
recorrem às clássicas soluções de gestão de congestionamentos,
Enfrentando a imobilidade urbana
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