dade de controle nas sociedades mais complexas, a capacidade de
controle está diminuindo na esfera nacional. Esta perda de capaci-
dade de controle deve-se à mercantilização de campos de atuação
que anteriormente eram políticos, processo que foi acelerado pela
globalização. Trata-se de uma dinâmica que, supostamente, dimi-
nuiu a necessidade de legitimação da atuação do Estado, mas na
realidade foi à custa da capacidade de controle. Com a criação de
comissões e conselhos de especialistas, houve várias tentativas de
enfrentar a crise de controle do Estado no final dos anos 90.
A exclusão social desemboca, não raro, na autoexclusão das
pessoas afetadas no processo político. Até hoje, os partidos polí-
ticos não deram muita atenção a esse déficit democrático. Como
estão concorrendo com outros partidos, consideram o eleitorado
ativo mais importante. Todavia, essa atitude está em contradição
com a missão dos partidos políticos de serem, na medida do possí-
vel, órgãos representativos de um processo de formação da vontade
(e opinião). Apenas usar um “discurso” diferente não será suficiente
para voltar a fazer jus a essa pretensão. A exclusão social não está
associada a problemas de comunicação.
A questão decisiva é que a participação política vem atrelada à
participação social. Trabalho e educação representam, portanto, as
condições prévias essenciais para a inclusão social. Neste caso, não
se trata apenas de uma necessidade social, mas também de uma
premissa democrática. No futuro, os partidos políticos precisam se
entender muito mais como protagonistas da inclusão social e polí-
tica. E, para tal, não bastará assegurar o status social dos exclu-
ídos do ponto de vista material. Dar continuidade à abertura das
instituições democráticas requer uma participação real em uma
sociedade (de trabalho) inclusiva.
Os partidos políticos têm uma função de orientação. Sua mis-
são constitucional de participar da formação da vontade (e opinião)
democrática só poderá ser equacionada em um espaço de alter-
nativas políticas. Debates controversos são frequentemente vistos
como falta de orientação dos partidos pelo público midiático e equi-
parados à fraqueza de atuação e liderança. O resultado é uma falta
de clareza interna que dificulta um debate programático susten-
tável entre os partidos e acaba favorecendo diferenças simbólicas
efêmeras.
Dez pontos são decisivos para a competência discursiva e estra-
tégica dos partidos: 1) a visibilidade de alternativas de orientação
que permitam a criação de um espaço de opções políticas, inclusive
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Peter Siller