a divulgação dos argumentos e das ponderações concorrentes; 2) é
necessário que posições e argumentos diferentes sejam apresenta-
dos de forma compreensível; 3) é preciso uma estrutura de deba-
tes focada, que ofereça espaço suficiente à discussão de posições
de fundo distintas, mas não para toda e qualquer opinião indivi-
dual; 4) é necessário desenvolver plataformas comuns, em analo-
gia às plataformas digitais, onde haja um confronto das posições
divergentes, em vez dessa separação em redes paralelas fechadas;
5) é preciso apoiar os grupos e redes intrapartidários capazes de
desenvolver propostas com orientações e concepções na véspera de
um debate geral; 6) estes atores precisam ser representados ade-
quadamente no discurso; 7) os debates deveriam ser encenados
de tal modo que sejam um convite à participação; 8) além disso, é
necessária uma cultura e estruturas de apoio que garantam que a
transformação da própria posição no processo discursivo não seja
uma desvantagem, mas sim um ponto forte; 9) fracassos nas vota-
ções não devem automaticamente pôr em questão a base de sub-
sistência política dos vencidos; 10) deve haver consciência de que
o efeito de iniciativas político-partidárias no espaço da sociedade
pressupõe uma posição comum, clara e inequívoca, a qual deve ser
estabelecida através de um discurso esclarecedor, sempre aberto a
compromissos, para dentro do partido.
A capacidade de intervenção discursiva dos partidos políti-
cos para fora requer, adicionalmente, uma atenção para detectar
controvérsias sociais, midiáticas e intelectuais que transcendem
o cenário partidário. Ante os déficits crescentes de representativi-
dade, orientação e discurso dos partidos políticos, a voz forte e alta
dos “novos movimentos populares” começou a marcar presença.
Sua meta é a participação direta dos cidadãos e a influência demo-
crática direta. Em alguns casos, houve forte oposição entre partici-
pação direta e democracia representativa. Ignorou-se, porém, que o
desejo de participação direta até agrava tendencialmente os déficits
de representatividade da democracia, por seus protagonistas per-
tencerem a determinados grupos sociais.
Por isso, mais democracia não exige apenas mais participação.
Os processos democráticos devem ser concebidos de tal maneira
que a participação resulte de fato em uma representatividade
melhor e mais justa. Ultimamente, esse problema recebeu de novo
mais destaque. Através de “células de participação” e outros for-
matos de participação representativa, já foram feitas experiências
interessantes. Nesse quesito, os partidos políticos também preci-
sam melhorar seu desempenho metodológico.
Os partidos políticos e sua função normativa
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