Por isso, os partidos políticos distinguem-se categoricamente
de protagonistas da representação de interesses e organizações
que limitam sua pretensão de generalização a um único tema, sem
envidar esforços para englobar outras áreas sociais.
Isto posto, os partidos assumem quatro funções na nossa
democracia: primeiro, uma função norteadora, ao defenderem con-
ceitos específicos do interesse comum descritos em concepções e
propostas de atuação concretas; segundo, uma função discursiva,
ao introduzirem essas posições em discursos sociais e institucio-
nalizados; terceiro, uma função decisória, ao participarem do pro-
cesso de decisão democrático-legislativo. Estas três funções estão
estreitamente associadas a uma quarta função, qual seja, a função
representativa.
A ideia e a missão por trás da instituição “partido político” só
podem ser captadas quando entendemos a importância democrá-
tica da representação intacta em todas as três funções. No entanto,
a pré-condição essencial para poder cumprir essa função é ter
tempo, uma vez que a qualidade das muitas decisões que precisa-
mos tomar nas sociedades modernas depende, em grande medida,
do tempo disponível para ponderar cada caso.
Não obstante, o tempo é sempre um bem escasso nas democra-
cias. Discussões e debates desembocam em decisões (no mínimo
provisórias), sendo impulsionadas exatamente por isso. Desse
caráter finito e temporal dos processos democráticos deduzimos
a importância fundamental dos compromissos para a democracia.
Como ideal regulador, o processo de se chegar a um acordo é um
propulsor imprescindível, mas raramente consegue ser posto em
prática. Apesar da importância da disputa em prol de uma política
temporal justa, o tempo dos cidadãos é igualmente limitado. Mesmo
no futuro será assim: os cidadãos terão disponibilidade de tempo
diferentes à sua disposição e as aproveitarão de forma diversa.
Apesar das profecias pessimistas do “fim da política representa-
tiva”, a representação justa é mais importante do que nunca, sobre-
tudo devido à nítida expansão espacial e temporal do horizonte de
decisão da política com a globalização. Precisamos, portanto, de
uma nova reflexão e de uma nova prática acerca dos mecanismos
da representação legítima, a fim de dar novo ímpeto aos partidos.
Em vez de nos despedirmos da noção de representação, deveríamos
nos indagar como podemos melhorar a função representativa dos
partidos.
Os partidos políticos e sua função normativa
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