Pedras e Demônios pd53 | Page 111

raturas das superquadras residenciais: a Asa Norte é mais quente que a Asa Sul e os bairros Sudoeste e Noroeste, com suas percen- tagens menores de área livre e vegetação, apresentam temperatu- ras mais altas que as Asas Sul e Norte e que quadras próximas de corpos de água. Os desenhos de novos espaços urbanos também afetam o inte- rior dos espaços já existentes: os novos edifícios que têm com- pletado as áreas centrais não projetam sombras para diminuir a entrada da radiação de onda curta e não utilizam materiais que diminuam a radiação de onda longa. Quanto ao aumento da temperatura constatada na capital da República, deve se ter presente que o centro da cidade apresenta esses valores ainda mais aumentados (em média 50 graus a mais): os edifícios se transformam em acumuladores de calor, pela ausên- cia de materiais reflexivos e a existência de grandes áreas de esta- cionamentos. Com o aumento vertiginoso do número de dias com temperatura acima dos 32 graus em 10 dias em 1986; 30 em 2018 e projeções de 70 dias em 2066, o desenvolvimento urbano, presente e futuro, deve ser pensado em função de uma adaptação climática. Na cidade de Brasília, as soluções adotadas em outros países, como coberturas verdes para diminuir o ganho térmico das edifica- ções e, por conseguinte, obter menor consumo de energia para condi- cionamento de ar ativo, reduzindo a geração de calor antropogênico e contribuindo para a redução da temperatura do ar externo, não dimi- nuem a temperatura a nível do pedestre, coma seria desejável para esta urbes projetada com proporção de espaços abertos tão generosa. Em nossos estudos, as maiores temperaturas foram encontra- das sobre ruas com pavimento asfáltico e, as menores, em áreas sombreadas por edificações e por vegetação. Isso sugere, visando melhorar o conforto dos pedestres e reduzir a demanda energé- tica dos edifícios, a ventilação urbana, a alteração dos materiais de recobrimento do solo por materiais frios e por espaços verdes com sombras e a substituição de pavimentos convencionais por pavimentos frios, que implicam uma moderação das ICU, pois con- tribuem para a redução da emissão de ondas longas e, consequen- temente, para a transferência de calor sensível. Enquanto os eventos climáticos se intensificam, a vulnerabili- dade dos sistemas urbanos aumenta. Esta vulnerabilidade, por sua vez, é crescente na mesma proporção que as populações urbanas crescem. Ilhas de calor e a adoção de medidas adaptativas 109