raturas das superquadras residenciais: a Asa Norte é mais quente
que a Asa Sul e os bairros Sudoeste e Noroeste, com suas percen-
tagens menores de área livre e vegetação, apresentam temperatu-
ras mais altas que as Asas Sul e Norte e que quadras próximas de
corpos de água.
Os desenhos de novos espaços urbanos também afetam o inte-
rior dos espaços já existentes: os novos edifícios que têm com-
pletado as áreas centrais não projetam sombras para diminuir a
entrada da radiação de onda curta e não utilizam materiais que
diminuam a radiação de onda longa.
Quanto ao aumento da temperatura constatada na capital da
República, deve se ter presente que o centro da cidade apresenta
esses valores ainda mais aumentados (em média 50 graus a mais):
os edifícios se transformam em acumuladores de calor, pela ausên-
cia de materiais reflexivos e a existência de grandes áreas de esta-
cionamentos. Com o aumento vertiginoso do número de dias com
temperatura acima dos 32 graus em 10 dias em 1986; 30 em 2018 e
projeções de 70 dias em 2066, o desenvolvimento urbano, presente
e futuro, deve ser pensado em função de uma adaptação climática.
Na cidade de Brasília, as soluções adotadas em outros países,
como coberturas verdes para diminuir o ganho térmico das edifica-
ções e, por conseguinte, obter menor consumo de energia para condi-
cionamento de ar ativo, reduzindo a geração de calor antropogênico e
contribuindo para a redução da temperatura do ar externo, não dimi-
nuem a temperatura a nível do pedestre, coma seria desejável para
esta urbes projetada com proporção de espaços abertos tão generosa.
Em nossos estudos, as maiores temperaturas foram encontra-
das sobre ruas com pavimento asfáltico e, as menores, em áreas
sombreadas por edificações e por vegetação. Isso sugere, visando
melhorar o conforto dos pedestres e reduzir a demanda energé-
tica dos edifícios, a ventilação urbana, a alteração dos materiais
de recobrimento do solo por materiais frios e por espaços verdes
com sombras e a substituição de pavimentos convencionais por
pavimentos frios, que implicam uma moderação das ICU, pois con-
tribuem para a redução da emissão de ondas longas e, consequen-
temente, para a transferência de calor sensível.
Enquanto os eventos climáticos se intensificam, a vulnerabili-
dade dos sistemas urbanos aumenta. Esta vulnerabilidade, por sua
vez, é crescente na mesma proporção que as populações urbanas
crescem.
Ilhas de calor e a adoção de medidas adaptativas
109