A fim de contribuir para a busca de medidas adaptativas, desde
2016 o Laboratório de Sustentabilidade aplicada à Arquitetura e
Urbanismo (LaSUS) utiliza o sensoriamento remoto para examinar
a formação de Ilha de Calor Urbano (ICU) em Brasília, por meio
de análise quantitativa com gráficos de temperatura da superfície
urbana e correlação qualitativa com as atividades humanas e uso
do solo. É relevante estimar o potencial de estratégias de adaptação
das ilhas de calor encontradas devido à diversidade de microcli-
mas urbanos que coexistem e à diversidade morfológica da cidade.
Cada cidade das regiões administrativas apresenta características
morfológicas únicas e valores de temperatura altos, ausência de
vegetação, excesso de solo exposto, materiais impermeáveis, enfim,
todos os ingredientes para a formação da ICU.
Sabemos hoje que tipos de ocupação, como a dos condomínios
horizontais, tem influências diretas nas ilhas de calor, pois ao ocu-
par toda a área de parcelamento disponível diminuem significati-
vamente as áreas de desenvolvimento da ventilação e de infiltração
das águas de chuva. Revelam-se eticamente condenáveis as políti-
cas habitacionais que aprovam, implícita ou explicitamente, bair-
ros homogêneos, compostos unicamente de condomínios fechados,
quintessência da antiurbanidade.
O lugar de Brasília foi escolhido, desde o final do século 19,
principalmente por suas condições climáticas, e o Plano Piloto
desenvolvido pelo urbanista Lucio Costa possui características bio-
climáticas que são verdadeiras lições sobre planejamento urbano
resiliente ao calor extremo. Porém, o crescimento desordenado tem
alterado sensivelmente o clima do DF nos últimos anos: verões
mais quentes e invernos mais secos; sofremos com chuva extrema
e com ondas de calor.
Os trabalhos realizados em nosso Laboratório sobre os padrões
de desempenho ambiental confirmam a perda de conforto na capi-
tal, devido, fundamentalmente, ao abandono de práticas susten-
táveis. As superquadras de ocupação mais recente, quando com-
paradas com as mais antigas, não apresentam a mesma leitura
espacial: a proporção espacial entre vazios e cheios é menor nas
mais recentes, cujos terrenos também perderam em termos de con-
tinuidade e legibilidade.
As soluções rebuscadas utilizadas nos térreos são trasladadas
para o espaço público, que fica balizado por pequenos artifícios que
interrompem os passeios e dificultam a identidade do espaço. Em
Brasília, os setores centrais diferem em materiais, formas e tempe-
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Marta Romero