Pedras e Demônios pd53 | Page 109

Ilhas de calor e a adoção de medidas adaptativas Marta Romero N o Brasil, as tendências climáticas apontam para um país mais seco e quente até o fim do século 21, em especial nas cidades, onde vivem 85% da população do país. Uma vez que o processo de urbanização é permanente e intenso no território brasileiro, o entendimento do impacto da configuração urbana no clima urbano, nos níveis de conforto, na demanda energética de edificações e nas mudanças climáticas globais adquire uma grande importância. O uso e a ocupação do solo como parte da estratégia de mitiga- ção em áreas urbanas ainda são pouco explorados. O Brasil assu- miu compromissos voluntários para a redução de emissões, mas medidas de adaptação, especialmente para as áreas urbanas, fica- ram desassistidas. Os riscos da mudança climática ainda não são plenamente visíveis e reconhecidos pela sociedade, incluindo os governantes, que, portanto, não veem valor no investimento pau- tado no princípio da precaução. Este fato reduz o apoio da popu- lação para os investimentos públicos em adaptação, assim como dificulta seu próprio engajamento. Para adoção de medidas adaptativas, portanto, disponibilidade de recursos e informação em escala adequada sobre o problema específico – cenários climáticos, vulnerabilidade local e soluções disponíveis adequadas tornam-se cada vez mais necessárias. Ilhas de calor e a adoção de medidas adaptativas 107