Ilhas de calor e a adoção
de medidas adaptativas
Marta Romero
N
o Brasil, as tendências climáticas apontam para um país
mais seco e quente até o fim do século 21, em especial nas
cidades, onde vivem 85% da população do país. Uma vez
que o processo de urbanização é permanente e intenso no território
brasileiro, o entendimento do impacto da configuração urbana no
clima urbano, nos níveis de conforto, na demanda energética de
edificações e nas mudanças climáticas globais adquire uma grande
importância.
O uso e a ocupação do solo como parte da estratégia de mitiga-
ção em áreas urbanas ainda são pouco explorados. O Brasil assu-
miu compromissos voluntários para a redução de emissões, mas
medidas de adaptação, especialmente para as áreas urbanas, fica-
ram desassistidas. Os riscos da mudança climática ainda não são
plenamente visíveis e reconhecidos pela sociedade, incluindo os
governantes, que, portanto, não veem valor no investimento pau-
tado no princípio da precaução. Este fato reduz o apoio da popu-
lação para os investimentos públicos em adaptação, assim como
dificulta seu próprio engajamento.
Para adoção de medidas adaptativas, portanto, disponibilidade
de recursos e informação em escala adequada sobre o problema
específico – cenários climáticos, vulnerabilidade local e soluções
disponíveis adequadas tornam-se cada vez mais necessárias.
Ilhas de calor e a adoção de medidas adaptativas
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