Paradidático - O Outro em Mim Paradidático - O Outro em Mim | Page 46

Paloma estava nas joias e ouro que pretendia levar. E olhando aquele girassol e revendo suas lembranças ele se ajoelhou no meio da tropa de soldados e desatou a chorar fortemente. Seu choro soluçado se misturava com o barulho que o vento fazia ao tocar nas árvores. E ele exclamava: - O que foi que eu fiz? Percebera ao conviver com aquele povo que a vida melhor não estava no ouro nem nas joias, e sim em momentos. Uma vida de momentos, experiências, uma vida que sabe sentir a chuva que toca, que sabe vibrar com um sorriso e que sabe valorizar todos os momentos. Sabia que para sustentar sua esposa e seu filho que viria precisaria de dinheiro então se perguntava. Por que a necessidade me obriga a machucar a vida. Por que nós civilizados atacamos quem é diferente, quem pensa diferente e quem sente diferente. Se na verdade o diferente acrescenta e a solidariedade fortalece. Por que perguntava ele, cristãos estavam ali em terras estrangeiras, ameaçando suas vidas e a vida de outros, porque arriscar o maior dom que Deus nos deu. Enquanto isso um soldado chegou perto de Lorenzo e colocou a mão em seu ombro e disse: - Caro amigo, vamos seguir em frente e esqueça o que está pensando! Ao terminar de ouvir isso, seu choro diminuiu e seus punhos cerraram. Se perguntou como esquecer algo dessa magnitude. Assim percebeu que as piores guerras que se trava na vida, são aquelas que acontecem no coração. Desejava voltar ao colo de sua amada, fazer os preparativos para receber seu filho, mas não podia, estava preso, queria ser livre, mas aos poucos tudo o que acontecia lhe aprisionava. E nesse devaneio, o vento se tornou mais forte e levou o girassol de suas mãos e ouviu uma voz dizendo.