Paradidático - O Outro em Mim Paradidático - O Outro em Mim | Page 39
comida e se deitava novamente. Dia após dia, esperando por uma
oportunidade. Até que um dia durante a ceia da noite algo lhe chamou a
atenção. Lorenzo tirou um tipo de papel do bolso, e nesse papel havia um
desenho.
- O que é? - perguntou ao espanhol.
- São Tiago. - Amayal não entendeu suas palavras. Então Lorenzo
achou uma melhor. - Deus.
O asteca ficou longos minutos olhando para a gravura até que abriu a
boca para falar.
-
Homem. Seu deus é homem? - Lorenzo não fazia ideia do que ele
quis dizer com aquela pergunta. Então para não ficar sem resposta
lhe fez outra.
-
Onde está seu Deus?
Amayal olhou ao redor, pegou um punhado de milho e mostrou para
Lorenzo, então apontou para uma bacia com acha. Foi até a porta e
apontou para o céu, olhou Yolotzin e apontou para ele, e por fim colocou
a mão em seu próprio coração.
-
Tudo. - disse sorrindo.
Naquela hora Lorenzo entendeu mais do povo asteca do que em
qualquer outro momento. Eles eram conectados, eles eram tudo. Seus
deuses eram coisas simples do dia a dia, e também eram grandes
elementos naturais. Eles eram família. A pobreza não tirava o sorriso de
seus rostos, e eles valorizavam coisas que ele jamais daria valor. Para
eles o amarelo do milho era mais radiante do que o amarelo do ouro.
Coisa que espanhol nenhum jamais entenderia.
Amayal então se sentou novamente, Lorenzo estava muito
diferente desde o primeiro dia que o viu. Sua barba cresceu e seus
cabelos também. Yolotzin até brincava com sua barba, pois os astecas
não tinham pelos daquela maneira. Ele não usava mais armadura e