João, o homem do saco
Era uma vez um homem extremamente justo. Nunca voltava atrás com a sua palavra.
Contudo, apesar destas características notáveis, não era por isso que era conhecido, ou até temido.
João tinha um dom, ou uma maldição, dependendo da perspectiva.
O seu dom, ou maldição era algo único no mundo:
As pessoas a quem ele não perdoava transformavam-se numa pedra, inertes.
João nunca percebeu de onde havia surgido esta faculdade, pois era única e exclusivamente sua e não se conhecia ninguém na sua família que tivesse tido algo assim. Tinha, contudo, a certeza de que essas pessoas não mereciam o seu perdão.
João carregava consigo um saco onde guardava todas as pedras (pessoas a quem não havia perdoado).
Quando João era criança assustava-se tanto quando ocasionalmente a pessoa se transformava em pedra à sua frente, que começava a chorar.
A sua mãe dizia “João, perdoar faz parte de uma vida feliz”.
A sua mãe havia morrido precocemente e João nunca aceitou isso e nunca perdoou a doença que a vitimou.
Desde então que João deixou de perdoar. E guardava cada pedra no seu saco, que carregava sempre consigo. Em determinadas noites, quando estava sozinho esvaziava o saco no chão e observava as pedras uma a uma. Depois voltava a arrumá-las.
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