Só que a cada dia que passava o saco estava cada vez mais pesado e João cada vez mais amargurado.
Um dia caminhou o mais longe que conseguiu e sentou-se a chorar com o saco ao seu lado. Não aguentava mais aquele maldito saco.
Cada vez que a meio da noite o deitara num poço quase sem fundo,voltara a encontrá-lo no seu quarto como que por magia.
Chorou tanto que um lago gigantesco se formou entre ele e a sua aldeia. A chorar e cheio de raiva começou a atirar pedra a pedra para o recém formado lago.
Sentia-se cada vez mais leve. Alguma coisa se transformava dentro de si mesmo. Já não sentia raiva. Sentia-se humano.
Apercebeu-se que também ele mesmo cometera erros. E queria ser perdoado, queria perder aquele peso, aquele saco maldito. Limpou as lágrimas e viu que à sua frente se formava uma ponte que o levava de volta à sua aldeia.
João andou devagar pela ponte com o saco vazio na mão até ao outro lado, até à sua aldeia. Estava envergonhado, mas ao mesmo tempo sentia que tinha novos motivos para sorrir. Perdoara todas aquelas pessoas que ele achava que não tinham perdão. Estava cansado de carregar um saco de pedras que era cada vez maior.
“Chega”, pensou João, “não posso continuar a carregar pedras que nada acrescentam à minha vida a não ser um peso cada vez maior.”
Desse dia em diante, João continuou a ser justo e a perdoar as falhas humanas, inclusivé as suas próprias.
Sandra Andrade
Madeirense, residente em Lisboa, licenciada em Educação Social,
estuda Psicologia, sempre pronta a ajudar, não gosta de desistir.
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